Quem é Koyo Kouoh, curadora-geral da 61ª Bienal de Arte de Veneza?
Curadora-chefe do Zeitz Museum of Contemporary Art Africa será a primeira mulher africana a comandar a mais antiga e prestigiada bienal de arte contemporânea

Pela primeira vez em sua história, a Bienal de Arte de Veneza terá uma mulher africana à frente da curadoria do evento. Koyo Kouoh, natural dos Camarões, foi nomeada diretora do Departamento de Artes Visuais da Bienal e será responsável pela curadoria da 61ª Exposição Internacional de Arte, que acontecerá em 2026. A decisão foi anunciada pelo Conselho da Bienal, presidido por Pietrangelo Buttafuoco, em reunião realizada no dia 5 de novembro.
Atualmente, Kouoh ocupa o cargo de Diretora Executiva e Curadora Chefe do Zeitz Museum of Contemporary Art Africa (Zeitz MOCAA), na Cidade do Cabo, cargo que ocupa desde 2019. Anteriormente, foi diretora artística fundadora do RAW Material Company, em Dakar, Senegal, e integrou as equipes curatoriais das edições 12 e 13 da documenta, em 2007 e 2012. Reconhecida pelo Grand Prix Meret Oppenheim em 2020, um importante prêmio suíço de arte, Kouoh divide seu tempo entre a Cidade do Cabo, Dakar e Basileia.
Em sua nomeação, Pietrangelo Buttafuoco destacou o “amplo horizonte de visão” de Kouoh, ressaltando sua abordagem curatorial única, que se encontra com as “inteligências mais refinadas, jovens e disruptivas”. A nomeação de Kouoh, declarou Buttafuoco, reafirma o compromisso da Bienal em ser “a casa do futuro”, oferecendo um olhar inovador para o mundo da arte contemporânea.
Koyo Kouoh tem um olhar especial para a arte africana e da diáspora africana, com ênfase em temas como representação, identidade, feminismo, sexualidade e narrativas históricas. Sua curadoria destaca artistas que desafiam convenções e exploram questões sociais e políticas, especialmente no contexto pós-colonial. No Zeitz MOCAA, Kouoh organizou exposições de grande importância, como Shooting Down Babylon, de Tracey Rose, e When We See Us: A Century of Black Figuration in Painting. Ela também curou mostras como Body Talk: Feminism, Sexuality and the Body no Wiels, em Bruxelas, e Still (the) Barbarians na EVA International, na Irlanda.

Além de seu trabalho curatorial. Kouoh é autora de diversas publicações sobre história da arte africana e instituições culturais no continente. Ela coordenou, por exemplo, os programas educativos da feira 1:54 Contemporary African Art.
Em resposta ao convite da Bienal de Veneza, Kouoh enfatizou o papel fundamental daquele espaço na redefinição do significado da arte contemporânea: “A Exposição Internacional de Arte da La Biennale di Venezia tem sido o centro de gravidade da arte por mais de um século. Artistas, profissionais de arte, colecionadores e um público crescente convergem a cada dois anos para sentir o pulso do Zeitgeist. É uma honra única seguir os passos de meus ilustres predecessores no cargo de Diretor Artístico e compor uma exposição que espero que tenha significado para o mundo atual — e, mais importante, para o mundo que queremos construir.”