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SP-Arte 2025: o futuro da arte e do design em cinco dias de imersão

Com mais de 200 expositores, feira reúne desde clássicos modernistas até jovens talentos em projeto que amplia debates e premiações

Por Beatriz Magalhães
Atualizado em 1 abr 2025, 15h52 - Publicado em 1 abr 2025, 13h24
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Fernanda Galvão, Vento das frutas-conchas (2025) | Carvão, pastel seco, bastão oleoso e óleo sobre linho. No estande da Casa Triângulo. (@FilipeBerndt/divulgação)
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Entre os dias 2 e 6 de abril, o Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, recebe a 21ª edição da SP-Arte, consolidada como o principal termômetro do mercado de arte e design do Brasil. O evento é um ponto de encontro indispensável para artistas, curadores, colecionadores e pesquisadores, que ali debatem e descobrem as tendências que moldarão o ano cultural.

 

Nesta edição, cerca de 200 expositores — entre galerias consagradas, estúdios de design, editoras e instituições — ocupam os três andares do pavilhão. A novidade fica por conta do terceiro piso, agora batizado de Palco SP-Arte, que amplia a experiência do público com debates inéditos sobre mercado e colecionismo, além de ativações de marcas e obras em grande formato. O espaço complementa a tradicional Arena Iguatemi, onde artistas consagrados participam de rodas de conversa.

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Fernanda Galvão, Vento das frutas-conchas (2025) | Carvão, pastel seco, bastão oleoso e óleo sobre linho. No estande da Casa Triângulo. (@FilipeBerndt/divulgação)

Obras icônicas e a força da experimentação contemporânea

Nos primeiros andares, galerias como Almeida & Dale e Luisa Strina revisitam o modernismo com obras de Amilcar de Castro e Eleonore Koch, enquanto apostas ousadas dominam os corredores. A Flexa, estreante do Rio, surpreende com um estande dedicado exclusivamente a artistas mulheres — de Yayoi Kusama a Beatriz Milhazes —, questionando lacunas históricas do cânone. Já a Vermelho antecipa a instalação monumental de Iván Argote no MASP, exibindo “Juntes”, obra que explora identidade e coletividade em um Brasil polarizado.

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A cena internacional marca presença com 12 galerias, incluindo a espanhola Baró, que traz a japonesa Ayako Rokkaku para pintar ao vivo com os dedos, e a colombiana Casa Zirio, que exibe tapeçarias de Olga de Amaral — artista com retrospectiva na Fundação Cartier. Para os colecionadores de olho em tendências, a Yehudi Hollander-Pappi, nova galeria nos Jardins, mistura nomes como Bruce Nauman com artistas que desafiam formatos, usando vídeo e performance para criticar a era digital.

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Mesa Central, de Ruy Ohtake projetada para a casa de Tomie Ohtake | Concreto e madeira | Foto: Ruy Teixeira (Ruy Teixeira/divulgação)

Matéria-prima em transformação

No térreo, o design ganha protagonismo com 81 expositores, 16 deles estreantes. A Attom, comandada por Carlos e Diego Motta, exibe móveis em madeira reutilizada, enquanto o Sergio Rodrigues Atelier celebra seu centenário com a icônica “Poltrona Chifruda”, peça que virou símbolo do design brasileiro nos anos 1960. A inovação surge em projetos como o do Superlimão, que mescla argila e impressão 3D, e da Granistone, onde Rodrigo Ohtake desenha mesas e bancos em rochas como Amazonita — uma ode à geologia nacional.

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Já a curadoria “Inteligência Material” investiga como designers latino-americanos reinventam matérias-primas. A chilena Margarita Talep, por exemplo, transforma algas em bioplástico, enquanto o uruguaio Amen ressignifica descartes industriais. Dois novos prêmios movimentam o setor: o Arauco SP-Arte de Inovação e Sustentabilidade, que levará um vencedor ao Salão do Móvel de Milão, e o Artefacto SP-Arte Melhor Design, garantindo ao escolhido um stand na edição de 2026.

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Poltrona Chifruda, de Sérgio Rodrigues (Tomás Rangel/divulgação)

Por fim, o terceiro andar, antes restrito a convidados, abre-se ao público como Palco SP-Arte — espaço que combina lounge, gastronomia e debates estratégicos. Lá, o espanhol Jaume Plensa (cujas esculturas etéreas dominam o estande da Leme) conversa com Marcello Dantas sobre arte pública, enquanto curadores globais discutem os desafios da internacionalização. Paralelamente, a tradicional Arena Iguatemi recebe nomes como Sonia Gomes e Paulo Nimer Pjota para bate-papos íntimos, revelando processos criativos por trás das obras.

SP-Arte 2025

Local: Pavilhão da Bienal (Portão 3 – Parque Ibirapuera)
Datas: 2/4 (convidados) | 3 a 6/4 (aberto ao público)
Ingressos: R$ 100 (inteira) | R$ 50 (meia-entrada)
Dica de acesso: No domingo (6/4), desça no MAC USP e siga a pé — avenidas próximas estarão bloqueadas até 14h devido à Maratona de SP

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