Bono na Apple TV+: o que sabemos sobre o documentário?
Clássicos do U2, ativismo e inovação: o novo filme que mergulha nas múltiplas faces de Bono

No dia 30 de maio, a Apple TV+ lança “Bono: Histórias de ‘Surrender’ (Imersivo)”, um documentário que promete ir além do formato tradicional. Dirigido por Andrew Dominik (indicado ao Oscar por O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford), o filme mergulha na vida do vocalista do U2, misturando performances intimistas no Beacon Theatre de Nova York com relatos sobre sua infância em Dublin, seu ativismo global e os bastidores de uma das maiores bandas de rock da história.
A produção é baseada na autobiografia “Surrender: 40 Músicas, uma História”, onde o vocalista reflete sobre temas como luto (perdeu a mãe aos 14 anos), fé e o peso de ser voz de causas urgentes. No documentário, trechos do livro ganham vida em cenas que alternam entre shows acústicos — com versões reinventadas de clássicos como “With or Without You” — e histórias como seu primeiro encontro com Ali Hewson, sua esposa há mais de 40 anos.

Tecnologia como aliada da narrativa
O grande diferencial do projeto é a tecnologia imersiva. Gravado em 8K com Spatial Audio, o filme será disponibilizado no Apple Vision Pro, dispositivo de realidade mista que permite aos espectadores “entrarem” no palco do Beacon Theatre. Através de vídeo em 180 graus, é possível observar detalhes como a textura do violão de Bono ou a expressão do público durante performances emocionantes.
A escolha não é casual: Bono e o U2 têm histórico de inovações ousadas, como o lançamento surpresa do álbum Songs of Innocence no iTunes em 2014, que chegou automaticamente a 500 milhões de usuários. Agora, a realidade mista é usada para imergir o público não só na música, mas na narrativa humana por trás das canções.
Ativismo e música: os dois lados da mesma moeda
O documentário não esconde as contradições de Bono. Em uma cena, ele admite o incômodo de ser chamado de “salvador do mundo” enquanto lida com críticas sobre o U2 — como a polêmica distribuição automática do álbum Songs of Innocence no iTunes em 2014. Mas é inegável seu impacto: Bono, que vendeu 175 milhões de discos e ganhou 22 Grammys, é também cofundador de duas organizações globais:
(RED): A organização faz parcerias com diversas empresas para ampliar a conscientização sobre a crise da AIDS e incentivar contribuições corporativas para enfrentá-la — já arrecadando mais de US$ 750 milhões para o Fundo Global dedicado ao tratamento e prevenção da AIDS na África.
ONE: Já por meio deste programa, Bono fez advocacy político com chefes de estado e legislaturas ao redor do mundo, como forma de garantir a aprovação de programas globais de saúde e desenvolvimento, como o programa PEPFAR, que sozinho salvou mais de 25 milhões de vidas nos últimos 20 anos
Essas iniciativas lhe renderam honrarias como a Legion of Honor (a mais alta condecoração da França), a Presidential Medal of Freedom (EUA) e o título de cavaleiro britânico. O filme mostra como ele equilibra fama e responsabilidade social, mesmo sob críticas — como a polêmica distribuição do álbum Songs of Innocence, que alguns consideraram invasiva.

Arquivos inéditos e conexões históricas
Além das performances, o documentário revela arquivos inéditos: desde ensaios caseiros do U2 em Dublin, quando Bono, Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. ainda eram adolescentes, até encontros com figuras como Nelson Mandela — que inspirou “Ordinary Love” — e a ex-chanceler alemã Angela Merkel, com quem discutiu políticas humanitárias. Depoimentos de Ali Hewson, sua esposa há quatro décadas, mostram os desafios de manter a privacidade familiar em meio a turnês globais e campanhas contra a pobreza. Paralelamente, uma edição atualizada do livro “Surrender” chega às livrarias, com reflexões sobre a turnê que inspirou o filme e uma introdução inédita sobre arte como agente de mudança.
Mais que um registro biográfico, “Histórias de ‘Surrender’” é um marco para o Apple Vision Pro, que busca consolidar-se como plataforma para narrativas imersivas. Para Bono, é a chance de reafirmar seu legado: um artista que, entre acordes de guitarra e discursos na ONU, ainda acredita que a música pode — e deve — ser um instrumento de justiça.