Bravo! elege Fernanda Torres e Gilberto Gil como os destaques de 2025
A escolha se baseou na votação dos leitores e no reconhecimento das jornadas excepcionais dos dois artistas ao longo do período
A ideia de criar Os Melhores do Ano nunca partiu do desejo de excluir ou estabelecer comparações vazias. Para nós, trata-se de uma forma de reconhecer jornadas excepcionais ao longo desse período. Trajetórias que, para além do impacto individual na carreira de um artista, reverberam de maneira mais ampla, fortalecendo um setor inteiro e mobilizando uma comunidade criativa.
Há também o desejo de honrar a própria história da Bravo!. Desde seus primeiros anos, a revista manteve um prêmio anual que, agora, buscamos retomar. Esta iniciativa pode ser entendida como a atualização desse gesto inaugural. Ou, se preferir, como um aquecimento para sua plena retomada.
Menções honrosas
Sem delongas, vamos ao que realmente importa. Na semana passada, promovemos uma votação para ouvir leitores e seguidores da Bravo! sobre os artistas que mais se destacaram ao longo do ano. Foi especialmente gratificante perceber a presença de nomes que escapam ao radar da mídia mainstream, como o designer quilombola Dih Morais, responsável por um desfile primoroso realizado em Moçambique. A menção ganha ainda mais peso em um ano em que a revista voltou a abordar moda — sempre, é claro, a partir de um recorte artístico.
Outros nomes também apareceram com força, como Débora Bloch, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Wagner Moura. Ainda assim, dois deles se sobressaíram de forma mais evidente, em sintonia com a avaliação da redação, por trajetórias particularmente marcantes ao longo do período. Quem são eles?
Fernanda Torres
Nossa primeira artista de 2025 é Fernanda Torres — talvez sem grande surpresa. Ela encerrou um hiato de mais de duas décadas desde a última indicação de uma atriz brasileira ao Oscar, com o filme “Ainda Estou Aqui”, e teve destaque nas principais premiações internacionais de cinema. O efeito foi imediato: uma alegria coletiva que lembrou clima de carnaval ou de Copa do Mundo, quando há chances reais de vitória. Por um momento, deixamos de lado dores e disputas. Ainda que o país, profundamente fraturado, não tenha sido capaz de se unir por completo.
Mais importante, porém, foi o impacto de seu trabalho. Com a sensibilidade e o rigor de Walter Salles, a atuação de Fernanda Torres lançou nova luz sobre o cinema brasileiro e seus artistas. Não é difícil imaginar que esse mesmo clima de torcida se repita em 2026, com Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho em O Agente Secreto. Pode soar como uma premiação simbólica, mas seus efeitos vão muito além de um episódio pontual: ajudam a impulsionar investimentos, ampliar a visibilidade e fortalecer, de forma concreta, todo o setor audiovisual no Brasil.
Gilberto Gil
Gilberto Gil, para muitos de nós, brasileiros, artistas e apaixonados por música, é como um abraço acolhedor, quente, daqueles que curam. Suas canções caminham pelo mesmo lugar. Em 2024, ele anunciou a despedida dos palcos, um espaço sempre tão central em sua vida. Aos 82 anos, transformou esse momento em celebração, passando por cidades do Brasil e por outros países da América do Sul, cercado de velhos e novos nomes da música, artistas dos quais, com a humildade de sempre, ele faz questão de dizer que também se inspira. Tudo atravessado por poesia, pela doçura que permanece no olhar e no gesto.
Nesse mesmo período, Gil atravessou a maior dor que um pai pode viver: a perda da filha, a cantora e empresária Preta Gil. Viveu o luto cantando, encontrando no encontro com o público um espaço de troca, de acolhimento mútuo. Todo tempo é tempo de Gilberto Gil. Em 2025, essa estrela brilhou ainda mais forte. E não para por aí: a turnê segue por 2026. Afinal, cantar é a sua magia.