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Soma de submundos

Por Bravo
28 nov 2019, 17h04 • Atualizado em 21 set 2022, 22h18
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  • Artistas malditos do teatro brasileiro potencializam-se em “Barrela”, primeiro texto de Plínio Marcos encenado por Mário Bortolotto

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    Foto: Cristina Jatobá

    Por Gabriela Mellão

    O submundo de Mário Bortolotto encontra-se com o submundo de Plínio Marcos. Encontro provável o destes dois artistas malditos do teatro brasileiro, pela preferência de ambos à realidade crua e violenta dos marginalizados, e que nunca tinha acontecido.

    Plínio Marcos foi o primeiro autor do país a colocar personagens relegados da sociedade como protagonista. À sua maneira, inspirado pela rebeldia beat, Bortolotto flerta com o mesmo universo. O resultado desse encontro é Barrela, primeira peça de Plínio Marcos (1948), homenagem de Bortolotto aos 20 anos de morte do dramaturgo santista.

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    Barrela nasce de um impulso de indignação, a partir da história real de um garoto de Santos que foi preso e violentado numa cela de prisão. O autor nunca havia pensado em escrever para teatro. Não tinha familiaridade com a linguagem da cena. Escreveu num jorro, sem preocupação com forma, conteúdo ou erros de português, tendo a seu favor apenas intimidade com as histórias ouvidas na boca da malandragem.

    A força de Barrela encontra-se justamente nessa aparente imperfeição. É sobretudo através dela que o clima de violência se instaura e a precariedade social e emocional dos personagens se evidencia. Bortolotto trabalha como poucos o realismo. Sempre fiel aos autores que encena, transpõe o texto integralmente à cena, inclusive gírias e outras expressões que hoje soam datadas, mas atém-se principalmente ao que escapa às palavras, à força intangível da obra, à verdade das atuações, tendo como suporte um elenco (encabeçado por ele próprio) de tipos heterogêneos que se destaca por igual, em que cada ator soma individual e coletivamente.

    O submundo de Plínio Marcos se atualiza ao ser recriado pelo submundo de Bortolotto. Nesta união, ambos se potencializam explodindo a força do teatro realista e o desamparo dos excluídos.

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    Teatro Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384), sextas e sábados, às 21h e domingos, às 20h; até 22/12. R$ 40. Classificação: 16 anos

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