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OLÁ,

O Brasil se despede de Cacá Diegues; relembre legado do diretor no cinema nacional

Um dos nomes mais importantes do Cinema Novo, o diretor morreu na madrugada desta sexta, após complicações cardiocirculatórias

Por Redação Bravo!
Atualizado em 14 fev 2025, 10h32 - Publicado em 14 fev 2025, 10h30
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 (Stephane Cardinale - Corbis / GettyImages/fotografia)
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Morreu na madrugada desta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro, o cineasta brasileiro Cacá Diegues, vítima de complicações cardiocirculatórias. Ele deveria passar por uma cirurgia. O diretor tinha 84 anos e deixa quatro filhos, três netos e a esposa, Renata Almeida Magalhães.

Diretor de Bye Bye Brasil e Tieta do Agreste, Diegues foi um dos principais nomes do Cinema Novo. Desde 2018, era membro da Academia Brasileira de Letras.

O velório será realizado neste sábado (15) na Academia Brasileira de Letras (ABL) e, em seguida, o corpo será cremado. Em nota, a ABL lamentou a morte do diretor e recordou o seu legado: “Sua obra equilibrou popularidade e profundidade artística ao abordar temas sociais e culturais com sensibilidade. Durante a ditadura militar, viveu no exílio, mas se manteve sempre ativo no debate sobre política, cultura e cinema.”

Quem foi Cacá Diegues?

Nascido em Maceió, em 1940, Carlos José Fontes Diegues já trazia peculiaridades desde o nascimento. Filho de um antropólogo e uma fazendeira, mudou-se ainda na infância com a família para o Rio de Janeiro, onde construiria sua carreira.

Seus primeiros passos no cinema aconteceram enquanto estudava Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Apesar de seguir a graduação, parecia cada vez mais distante da profissão jurídica.

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Durante a vida universitária, fundou um cineclube na PUC e começou a realizar experimentações como cineasta amador. Foi nesse período que encontrou parceiros, como David Neves e Arnaldo Jabor. Também dirigiu o jornal O Metropolitano, que publicava uma coluna de cinema com informações sobre a Nouvelle Vague francesa – movimento que inspiraria o Cinema Novo.

O Cinema Novo, dominante entre as décadas de 1960 e 1970, buscava se afastar dos modelos hollywoodianos, como os musicais e as comédias populares, para se concentrar em debates sociais que refletiam a realidade do país. O movimento atingiu seu auge nos anos 1960 com filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, todos marcados pelo forte engajamento político. Nos anos 1970, o Cinema Novo passou por transformações, dando origem a filmes como Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade.

Cacá Diegues dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1962, Samba Alegria de Viver. Ao longo da carreira, realizou mais de 20 filmes, entre curtas e longas-metragens. Seu último trabalho, O Grande Circo Místico, foi lançado em 2018.

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