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CineOP: Cármen Lúcia fala da democratização da cultura

Ministra do STF participou do debate “Políticas públicas para o patrimônio e a preservação audiovisual”, que aconteceu na Mostra de Cinema de Ouro Preto

Por Humberto Maruchel
Atualizado em 24 jun 2024, 13h20 - Publicado em 24 jun 2024, 10h00

Começou na última quarta-feira (19) a 19ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Até o dia 24, serão exibidos 154 filmes, entre curtas e longa-metragens brasileiros e estrangeiros.

A mostra, uma das maiores do setor no país, pretende refletir sobre o cinema a partir dos temas de preservação, memória e patrimônio. A edição atual enfoca o cinema de animação, com a temática “Cinema de animação no Brasil: uma perspectiva histórica”.

 

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Ministra Cármen Lúcia na 19ª CINEOP – Encontro de Arquivos – Diálogos da Preservação. Políticas Públicas para o patrimônio e a Preservação Audiovisual (Leo Fontes/Universo Produção/divulgação)

Uma das presenças de destaque foi a ministra do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, que participou do debate “Políticas públicas para o patrimônio e a preservação audiovisual” na sexta-feira (21).

A ministra, recentemente empossada presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fez a fala de abertura, onde começou lembrando de sua antiga e apaixonada relação com o cinema. Nascida em Montes Claros e criada em Espinosa, pequeno município na divisa com a Bahia, Carmen Lúcia descreveu a carência de atividades culturais na região.

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Ela recordou seu primeiro contato com o cinema por meio da iniciativa de seu pai, que foi compartilhada por muitos residentes de Espinosa.

“Me tornei cinéfila por herança dos meus avôs e do meu pai. Meu pai comprava aqueles rolos de filme e os exibia em casa, levava-os para as escadarias e projetava. Ele abria as janelas para que as pessoas que passavam por ali pudessem assistir. No dia da exibição, as janelas ficavam cheias de gente pendurada. Como o espaço era pequeno, as pessoas começaram a chegar mais cedo nos dias em que havia filme.”

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Ministra Cármen Lúcia na 19ª CINEOP – Encontro de Arquivos – Diálogos da Preservação. Políticas Públicas para o patrimônio e a Preservação Audiovisual (Leo Fontes/Universo Produção/divulgação)

A ministra comparou sua experiência pessoal com a realidade atual de muitos brasileiros e destacou a urgência de promover o acesso ao audiovisual por meio de ações e políticas públicas. “Quando falo do audiovisual, estou me referindo a um acesso que foi muito dificultado e que continua sendo difícil para muitos espaços brasileiros. Já mencionei isso mais de uma vez: a Constituição Brasileira garante como direito fundamental o acesso à cultura e aos bens culturais. O direito de acesso aos bens culturais é imprescindível.”

“Espero que aqueles que não têm a minha idade, não passem pela triste experiência de uma ditadura, onde a primeira coisa a ser cortada é a cultura. O primeiro ódio de todo tirano é contra a cultura, pois é ela que transgride e liberta com legitimidade. Toda transgressão de norma pode ser uma afronta ao direito do outro, exceto a do artista. Ele tem a missão de transcender, e por isso, transgride com legitimidade no espaço assegurado pela criatividade e pela cultura.”

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Ministra Cármen Lúcia na 19ª CINEOP – Encontro de Arquivos – Diálogos da Preservação. Políticas Públicas para o patrimônio e a Preservação Audiovisual (Leo Fontes/Universo Produção/divulgação)

Em um momento tocante, a presidente do TSE reforçou os ataques que a cultura sofre em governos autoritários. “Espero que aqueles que não têm a minha idade, não passem pela triste experiência de uma ditadura, onde a primeira coisa a ser cortada é a cultura. O primeiro ódio de todo tirano é contra a cultura, pois é ela que transgride e liberta com legitimidade. Toda transgressão de norma pode ser uma afronta ao direito do outro, exceto a do artista. Ele tem a missão de transcender, e por isso, transgride com legitimidade no espaço assegurado pela criatividade e pela cultura.”

Ela também refletiu sobre o valor individual e coletivo que a cultura pode agregar, a partir de uma premissa: o desejo de felicidade.

“Todo mundo tem o direito de buscar a felicidade. Essa é a base de uma convivência constitucional: o direito de procurar como ser feliz, algo que ninguém pode fazer por você. A cultura revela isso, mostrando todos os caminhos que permitem encontrar sua essência, vocação e realizar seu talento. E é por isso que a cultura é tão importante. Ela apresenta diversas formas de ser e garante que as futuras gerações saibam que buscamos a felicidade e deixamos esse legado, o único que podemos deixar com legitimidade.”

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Público assiste à mesa de conversa com presença da ministra do supremo (Leo Fontes/Universo Produção/divulgação)
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