Avatar do usuário logado
OLÁ,

Como os filmes “O Brutalista” e “Emília Pérez” usaram inteligência artificial nas atuações

Software de inteligência artificial, o Respeecher, foi usado para tratar as vozes do elenco e aperfeiçoar o sotaque

Por Redação Bravo!
Atualizado em 23 jan 2025, 11h50 - Publicado em 23 jan 2025, 09h00
brutalista-adrien-brody-inteligencia-artificial-voz
Adrien Brody em "O Brutalista": inteligência artificial foi usada para mudar sotaques e acelerar as etapas de pós-produção (Imdb/reprodução)
Continua após publicidade

O uso de inteligência artificial já está amplamente disseminado e parece ser um caminho irreversível. Esse fenômeno se estende até mesmo às atuações em filmes. Foi revelado na última semana que os filmes O Brutalista e Emília Pérez utilizaram um software de inteligência artificial, o Respeecher, para tratar e aprimorar as vozes do elenco. Um dos principais pontos de polêmica é que ambos os filmes figuram entre os favoritos na corrida ao Oscar. A dúvida que surge é se essa revelação poderá influenciar o rumo das nomeações.

Como funciona

O Respeecher é uma ferramenta ucraniana que emprega tecnologia de inteligência artificial para criar vozes sintéticas realistas. O processo envolve a criação de um modelo digital de voz, capaz de imitar a fala de uma pessoa específica, mesmo na ausência dessa pessoa.

Como foi utilizada nos filmes

Em O Brutalista, Adrien Brody interpreta um arquiteto judeu-húngaro que emigra para os Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. O grande desafio da produção foi tornar os sotaques mais verossímeis. Para isso, foi necessário introduzir sons em algumas frases dos diálogos em húngaro, mantendo a sonoridade original das vozes. O uso da tecnologia também ajudou a acelerar o processo de pós-produção. Até o momento, Adrien é um dos favoritos para o Oscar de Melhor Ator, tendo recentemente conquistado o Globo de Ouro por sua atuação. A revelação sobre o uso da tecnologia ocorreu em uma entrevista do editor Dávid Jancsó.

“Eles trabalharam por meses com a treinadora de dialetos Tanera Marshall para aperfeiçoar seus sotaques. A inovadora tecnologia da Respeecher foi usada exclusivamente na edição do diálogo em húngaro, com o objetivo de refinar certas vogais e letras com precisão. Nenhum diálogo em inglês foi alterado.”, declarou Jancsó, em comunicado posterior.

Embora o software Respeecher seja pouco conhecido, ele já foi utilizado em diversos filmes, como Alien: Romulus (2024), Nyad (2023), Dangerous Waters (2023) e The Exorcist: Believer (2023).

Continua após a publicidade

Em Emília Pérez, a tecnologia foi empregada para aprimorar a performance vocal de Karla Sofía Gascón nas cenas de canto. Karla também está entre as favoritas para uma possível indicação ao Oscar. No entanto, essa não é a única crítica que o filme enfrenta. Dirigido por Jacques Audiard, o longa ainda não estreou no Brasil, mas já enfrenta controvérsias, inclusive por parte de brasileiros. A principal crítica diz respeito a uma suposta representação estereotipada de mexicanos, além da abordagem superficial de temas sensíveis no México, como violência, desaparecimentos forçados e tráfico de drogas, dentro de um formato musical. Outro ponto polêmico é que, embora a narrativa se passe no México, as filmagens ocorreram integralmente na França.

Em resposta às críticas, o diretor Brady Corbet emitiu um comunicado esclarecendo que o uso do software não diminui o mérito das atuações dos artistas. “Este foi um processo manual, realizado pela nossa equipe de som e pela Respeecher na pós-produção. O objetivo era preservar a autenticidade das performances de Adrien e Felicity em outro idioma, sem substituí-las ou alterá-las, e foi feito com o máximo respeito pelo ofício.”


Também surgiram alegações de que o filme teria utilizado inteligência artificial para os desenhos arquitetônicos em sua sequência final, o que foi desmentido pelo diretor.“Judy Becker (diretora de arte) e sua equipe não usaram IA para criar ou renderizar nenhum dos edifícios. Todas as imagens foram desenhadas à mão pelos artistas. Para esclarecer, no vídeo memorial exibido ao fundo de uma cena, nossa equipe editorial criou imagens intencionalmente projetadas para parecerem renderizações digitais de baixa qualidade da década de 1980.”, disse Corbert.

Continua após a publicidade

Até o momento, a Academia não se manifestou oficialmente sobre o uso da tecnologia e se tomará alguma medida em relação a isso. O que sugere que as manifestações contrárias não devem impactar a previsão dos indicados.

 

 

Publicidade