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Barbara Paz sobre cinema, TV e arte: “A urgência me leva a um resultado melhor”

Artista multifacetada relembra fases marcantes da carreira, esmiuça detalhes de seu intenso processo criativo e adianta novos projetos no cinema

Por Laís Franklin
Atualizado em 30 jan 2025, 10h23 - Publicado em 16 jan 2025, 16h00
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 (João Rocha @cidadecinza23/fotografia)
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Bárbara Paz é uma artista multidisciplinar do instante. Seja no teatro, na TV, no cinema, na fotografia ou nas artes plásticas, ela se entrega por inteiro em cada trabalho. “Acredito muito que os projetos de última hora, de supetão, são os melhores. Quando eu me preparo muito antes…nunca está certo. A urgência me leva a um resultado melhor”, revela a diretora e atriz em entrevista exclusiva à Bravo!. Não foi diferente nesta capa especial sobre a sétima arte. Clicada no cinema do Reserva Cultural um dia antes de embarcar para ser jurada do Festival Cinema de Veneza, a artista se jogou de cabeça no editorial clicado pelo fotógrafo João Rocha, com edição de moda assinada por Sam Tavares e de arte pela diretora Laís Brevilheri. Seu único pedido durante o shooting? Ouvir uma playlist 100% com músicas de Marilyn Monroe que cantarolava entre um flash e outro para entrar no clima. “Preciso do desafio do inesperado. Eu não fumo cigarro, não tenho nenhum vício, a não ser em pessoas”, contou.

Desde muito cedo ela precisou se reinventar. Ainda aos 17 anos, no Natal de 1992, ela teve sua carreira de modelo interrompida por um grave acidente de carro que causou um traumatismo craniano. A corte que quase partiu seu rosto ao meio e gerou uma cicatriz que virou símbolo de sua sobrevivência. A carreira artística veio como seu refúgio e salvação. “Cicatriz. Eu dormi com essa palavra durante muitos anos do meu lado. Minha primeira obra é um soro. Foi o soro da atriz que me ajudou a sobreviver mesmo com 414 pontos no rosto. Cabelo e maquiagem foram meus ansiolíticos por muito tempo”, recorda ela, que é formada pela Escola de Teatro Macunaíma e Centro de Pesquisa Teatral CPT de Antunes Filho.

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(João Rocha @cidadecinza23/fotografia)

Com um vasto currículo, Bárbara esteve em novelas que marcaram o horário nobre da Rede Globo como “Viver a Vida”, de Manoel Carlos, e “A Regra do Jogo”, de João Emanuel Carneiro. Nos palcos, esteve em mais 25 peças, incluindo “Vênus Em Visom De David Ives” e “Hell De Lolita Pille”, ambas de Hector Babenco. Ela brinca, inclusive, que foi o cinema quem a roubou. Como diretora, a virada na carreira veio com o documentário sobre o cineasta e seu companheiro Hector Babenco. O filme “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou” foi lançado no Festival de Veneza, ganhou prêmios ao redor do mundo e representou o Brasil em busca de uma indicação para o Oscar.

Anos mais tarde, as cicatrizes foram ressignificadas por Bárbara na exposição “Auto-Acusação”, que já circulou pela Galeria Fonte em São Paulo, no Centro Hélio Oiticica no Rio de Janeiro e na Galeria Appleton em Lisboa. Um dos pontos altos deste projeto é sua performance artística. “Nela, eu estou sentada com os pés enterrados em cacos de vidro e com cabelo cobrindo completamente o meu rosto. Aí uma cantora lírica vem pentear meus cabelos, tirando o cabelo do rosto bem calmamente enquanto canta Ave Maria. Quis contar de alguma forma, também, que as cicatrizes não são só minhas. Todo mundo tem alguma cicatriz dentro de si”, revelou.

A conversa que tivemos aconteceu poucos dias antes de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, ser anunciado pela Academia Brasileira de Cinema como o filme que nos representará na corrida para o Oscar 2025. E, para a diretora, que dirigiu o júri responsável pela nomeação brasileira, o longa de drama sobre os anos de chumbo tem boas chances de entrar na lista de Melhor Filme Internacional. “Só um bom filme, não adianta. É preciso ter um time grande lá fora para poder fazer barulho. O Walter tem isso”, argumentou.

Bárbara também adiantou detalhes sobre projetos em andamento, como o filme documental sobre a tragédia no Rio Grande do Sul, e revelou em primeira mão que um de seus planos para 2025 é retornar ao teatro. Confira a entrevista na íntegra a seguir:

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Bravo!: Bárbara, primeiro de tudo, queria te agradecer pela gentileza de topar participar dessa capa. O projeto desta edição foi feito com tanto carinho — e em tão pouco tempo! Foi uma loucura, mas você topou na hora. Você é do tipo que mergulha de cabeça em todo projeto?
Bárbara Paz: Foi tudo muito rápido, né? Você é acelerada assim como eu. E eu acredito muito nos projetos de última hora. Eles são as melhores. Se eu fico me preparando muito antes nunca dá certo. Acredito muito que os projetos de última hora, de sopetão, são os melhores. Quando eu me preparo muito antes…nunca está certo. A urgência me leva a um resultado melhor. Tanto que eu falo que sou a fotógrafa do instante, do agora. Acho que, às vezes, a preparação vai enlouquecendo a gente. Sou uma pessoa e artista muito insegura, né? Sou muito perfeccionista nas minhas coisas, mas, ao mesmo tempo, tento não ficar pirando muito. Por exemplo, eu gosto de pintar bastante em acrílico. Quando eu fui tentar pintar óleo, nossa, demorou tanto para secar que foi uma experiência enlouquecedora…no melhor sentido. Mas eu não consigo esperar. Eu preciso ver agora, quero ver já, daqui a pouco, nesse instante. Preciso registrar os momentos, porque eu acho que a vida é muito curta.

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(João Rocha @cidadecinza23/fotografia)

B!: De onde veio essa sensação de finitude?
Sempre achei que a vida fosse breve para mim. Inclusive, acho que estou aqui já de sobra. Pelo que eu calculei nos meus pensamentos, eu achava que eu já teria ido embora a essa altura. E isso veio muito das perdas que eu tive na minha vida, como do Babenco, por exemplo. Eu tenho muitas urgências de ter que fazer agora. A Emily Dickinson diz que “o pra sempre é composto de agoras” e essa frase resume tudo para mim. Vivo tudo na minha vida como se fosse a última vez. Amar pela última vez, criar pela última vez. Claro que nem sempre eu tive consciência disso. Isso veio da minha formação e evolução como ser humano. Sou uma pessoa que gosta da evolução da espécie. E acredito nela porque eu sou a prova viva de que ela existe. A gente vai evoluindo a cada instante. Sou uma pessoa que não fica parada, como você. Não estamos paradas. Queremos sempre olhar para frente. Não esquecendo o passado, mas o passado não me define, ele ecoa em mim. Sou composta de muitas coisas, muitos elementos, eu tenho muitas vidas. Eu acho que eu sou uma pessoa que eu já renasci muitas vezes e cada renascimento me trouxe algo novo.

B!: Que tipo de renascimento você está agora?
Estou trocando uma casca que eu nunca troquei, porque eu estou envelhecendo. Eu não achei que eu ia chegar até aqui. Então, se eu não achei que eu ia chegar até aqui…será que eu vou conseguir? Ao mesmo tempo, artisticamente, também estou mudando de casca, porque estou buscando fazer minhas coisas autorais, dirigir mais. Inclusive, esse ensaio fotográfico da Bravo!, me deu muita saudade do palco. Os deuses do teatro não perdoam.

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(João Rocha @cidadecinza23/fotografia)
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B!: Faz cinco anos que você está longe dos palcos, certo? Como tem sido este período?
Cinco anos. Toda a minha trajetória paulista foi dedicada ao teatro. São quase 30 anos aqui. 25 deles foram dedicados ao teatro. E aí, o cinema me roubou, o cinema me levou! Então assim, eu tô numa transmutação, que me permite olhar para outros lugares e aceitar o que realmente eu tenho que fazer aqui. A gente nunca sabe qual é o sentido da nossa existência e talvez também não exista resposta. Há perguntas, muitas perguntas, mas não há resposta. Enquanto isso, a gente vai criando. Eu gosto do abismo. De não saber o que está lá embaixo. Preciso do desafio do inesperado.

B!: E as artes visuais representam esse tipo de desafio?
Sem dúvida. Ninguém conhecia meu lado de artista plástica. Ninguém não. Na verdade, todo mundo que convive comigo sabe que eu sou uma pessoa que precisa trabalhar com as artes visuais, com fotografia, com tinta, desde sempre… acho que é uma coisa que o meu intelecto, meu inconsciente, ele tem que agir além de mim, além do meu corpo, eu tenho que botar ele a serviço da arte.

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Bárbara Paz para Bravo! (João Rocha @cidadecinza23/fotografia)

Como foi a sua campanha para o Oscar em 2021?
Eu entendi como é uma campanha política. Eu entendi perfeitamente como você tem que ter uma distribuidora. É preciso ter um time grande lá fora para poder fazer barulho. O Walter, por exemplo, tem a Sony Classics, que é uma das maiores. Então, assim, você tendo um time grande lá fora, aí você tem possibilidade. Só um bom filme, não adianta. É preciso ter uma grande campanha por trás. Precisa estrear nos Estados Unidos. Precisa rodar o mundo em festivais. E isso envolve muito dinheiro e muita campanha política interna. As pessoas certas precisam assistir ao seu filme para ele ter uma chance real.

No meu caso, eu peguei época de pandemia, foi um lado positivo no sentido que as pessoas poderiam assistir de onde estivessem, mas não tinha o templo de uma sala de cinema, não tinha conversa. Eu fiz vários Q&A online, eu tive pessoas importantes do meu lado, inclusive o Walter Salles também fez Q&A comigo. Pensei assim: Entrei na disputa? Então, agora, vou que nem um leão, vou ser um cavalo selvagem. Eu não vou parar, vou falar com todo mundo do mundo sobre o meu filme. Eu entendi muito mais do mercado. Para mim, a minha campanha com Babenco foi brilhante diante da verba e dos acessos que eu tinha. Estivemos em veículos como Hollywood Reporter, LA Times…Ninguém nem acreditou que eu consegui fazer tudo aquilo em um mês e meio. Acho que este resultado voraz vem de encontro com a questão da urgência e do abismo que falamos no começo da entrevista.

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B!: O que você aprendeu com essa experiência?
Aprendi muito que eu sou capaz em primeiro lugar, que eu acho que eu sou uma boa produtora e assim, eu acho que a nossa rede de contatos no mundo, em relação a quando você vai fazer uma campanha como essa dessa dimensão, é importantíssima. Só que é claro que faltou grana, faltou distribuidor forte, porque era o meu primeiro filme, o meu primeiro documentário. E foi o primeiro documentário brasileiro escolhido para competir ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, até então, sempre foram ficções. Isso não é pouca coisa. E valeu muito a pena! Eu conheci um monte de gente e tive uma experiência sem tamanho.

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(Bárbara Paz/fotografia)

B!: E como foi a campanha do Walter Salles no Festival de Veneza?
Eu estava na sessão da première do filme do Walter em Veneza, e foi uma grande comoção coletiva. Eu sou amiga pessoal de Marcelo Paiva, então conheço toda a história. Conheci a Eunice, conheço as irmãs, mas, independente disso, Walter conduziu o filme de uma forma muito simples, no sentido de contar uma história tradicional, uma história forte, mas de uma família brasileira no meio de uma ditadura, onde um pai some. Foram 26 anos pra ter um estado de óbito, é muito forte. E o que mais me tocou é que este filme fala de família, mas que fala de todos nós, né. “Ainda Estou Aqui” saiu de Veneza, foi para Toronto, San Sebastian, Nova York…ele está fazendo o caminho dos grandes festivais, o filme está sendo colocado na boca do povo, das pessoas que entendem de cinema. E, realmente, o trabalho da Fernanda Torres é o filme. E no fim, quando Fernanda Montenegro entra em cena, ali você cai, você chora, porque ela, entrega uma aula de interpretação, de soberania como atriz. Ela não fala uma palavra e faz todo mundo chorar na sala do cinema. E é tão bonito ver as duas, mãe e filha neste mesmo projeto. É uma coisa muito emblemática, né?

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(Bárbara Paz/fotografia)

B!: Como foi a escolha para eleger “Ainda Estou Aqui” para representar o Brasil no Oscar?
Foi maravilhoso! Senti uma excitação, assim, que há tempos não via. A gente fez um júri democrático. Foram 24 votantes de todas as regiões do país, não só do eixo Rio-São Paulo.

E é interessante pois esta é a primeira vez que nós temos uma conjuntura de lideranças femininas na diretoria na Academia Brasileira de Cinema. A presidente é a Renata Magalhães, eu atuo como presidente do júri do Oscar e tivemos 3 filmes dirigidos por mulheres na shortlist. Isso é muito importante dizer. É uma grande vitória.

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(Bárbara Paz/fotografia)
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B!: Você está há quatro anos na Academia Brasileira de Cinema. Como você avalia esse período?
Tem sido um prazer enorme. O cenário realmente mudou coa entrada da Renata Magalhães, há três anos. Isso se refletiu bastante na diversidade do Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, que este ano homenageou o Cinema Novo, por exemplo. Ter uma mulher na direção muda bastante coisa. Hoje é uma diretoria mais mais inclusiva e misturada. Não tem integrantes só do Eixo Rio-São Paulo, como antes. Tivemos um desmonte, estamos numa retomada, mas ela ainda custa a voltar. Teve a pandemia no meio, esse ano a gente teve uma quebra no streaming também, teve muito cancelamento de séries e filmes. Foi um ano difícil mas não impossível. O cinema de autor está muito potente. “Saudade Fez Morada Aqui Dentro” e “Sem Coração” são filmes de baixo orçamento e com um resultado grandioso. O cinema brasileiro sempre vai existir na sua raiz. Eu acho que o que a gente tem mais bonito é quando a gente tem a nossa raiz brasileira impressa ali nas telas, sabe?

B!: Este é um ano muito pulsante para o nosso cinema. Temos o retorno do Ministério da Cultura. Uma Secretária de Audiovisual comprometida com a classe…como você avalia esse cenário da cultura em 2024?
Fomos dilacerados. Tudo voltou esse ano, ainda bem. Mas acredito que começaremos a colher os frutos ano que vem. Estamos saindo desse desmonte e com o Ministério da Cultura, com o pessoal bombando os teatros, mas a sala de cinema tem que voltar a existir também, porque estamos ainda com o público mediano. O streaming roubou muito essa parte. Os teatros e os shows estão lotados, mas as salas de cinema ainda não. Eu ainda acho que o ingresso tem que baratear, acho que o ingresso é muito caro no Brasil.

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(Bárbara Paz/fotografia)

B!: Vira e mexe você está em algum meme nas redes sociais. O mais recente foi uma família que estava fazendo um vídeo turistando em Veneza e você apareceu fotografando pombas.
Isso foi muito curioso. Eu vi as pombas e na hora quis fotografá-las. Eu nem vi quem estava na minha frente. Eu fui atrás do quadro perfeito. Me chamam de um meme ambulante e me divirto.

B!: Você tem algum vício?
Eu não fumo cigarro, não tenho nenhum vício, a não ser em pessoas. E aí, chiclete é o meu único vício, me dá uma paciência.

B!: Você é gaúcha e está produzindo um documentário sobre o Rio Grande do Sul, “O Pescador, número 6”. Este também foi um projeto de urgência?
Totalmente. Eu estava em Lisboa fazendo uma exposição em maio, e, na semana de abertura, começou a enchente. Minha vontade era largar tudo e ir direto para o Rio Grande do Sul fazer algo, abraçar de alguma forma essas pessoas, porque foi muito forte tudo o que aconteceu. Foi a maior catástrofe climática do nosso país que dilacerou um estado inteiro. Acho que foi um grande alerta, foi o começo de muitas coisas que estão acontecendo com a crise climática. E não é uma coisa de hoje, é uma coisa que vem lá de trás. É minha terra, é minha raiz, é o lugar onde eu saí. Isso tem me machucado demais. Eu tinha feito doações, mas nada parecia suficiente.

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E foi aí que uma das ilhas de Porto Alegre me puxou, me chamou. Quando eu cheguei lá queria fazer uma série. Era muita coisa para contar num filme só. Estava todo mundo muito assustado, mas senti que o que eles mais queriam era a escuta, era uma troca genuina, era um abraço. Foi isso que eu fiz neste filme. Foi algo bem comovente ver como os gaúchos se uniram independente de religião, de política, de classe social, todo mundo estava no mesmo barco. Ouvi coisas como: “Está tudo bem, eu perdi tudo, mas com o outro foi pior”.
Eles falam que foi uma segunda Covid, né? Só que ali não tinha fim. Fui dar uma volta de barco com um pescador que teve a casa totalmente alagada, e, mesmo assim, ajudou a salvar muita gente. As enchentes em Porto Alegre são recorrentes, então, essas pessoas são as que mais sabem do que aconteceu nos últimos anos, o que era para ter sido feito, o que não era para ter sido feito. São pessoas muito simples, que viveram enchentes há décadas. Este é um filme sobre pertencimento, sobre memória e sobre uma tragédia muito anunciada.

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(Bárbara Paz/fotografia)

B!: Suas cicatrizes já foram tema e peça de teatro e também de uma exposição. Poderia contar mais sobre esse processo?
Quando eu decidi falar sobre esse assunto quase como um presente para mim, para as minhas cicatrizes, sabe? Eu fiz um solo que se chama Cica Atriz. Quando você junta cicatriz, cicatriz tem atriz. Eu dormi com essa palavra durante muitos anos do meu lado. Cicatriz. Minha primeira obra é um soro. Foi o soro da atriz que me ajudou a sobreviver mesmo com 44 pontos no rosto.

Comecei a criar lá no estúdio do meu amigo Nino Cais, Na Fonte, uma galeria bem legal, que tem vários artistas. Então eu transformei isso numa performance. Nela, eu estou sentada com os pés enterrados em cacos de vidro e com cabelo cobrindo completamente o meu rosto. Cabelo e maquiagem foram meus ansiolíticos por muito tempo. Aí uma cantora lírica vem pentear meus cabelos, tirando o cabelo do rosto bem calmamente enquanto canta Ave Maria. Já fiz montagens no Rio, em São Paulo e em Lisboa. Quis contar de alguma forma, também, que as cicatrizes não são só minhas. Todo mundo tem alguma cicatriz dentro de si. O resultado é sempre emocionante.

B!: Você também tem um outro desafio em andamento: seu primeiro filme de ficção. O que poderia nos adiantar sobre ele?
Estou desenvolvendo há mais de 10 anos um filme sobre a solidão dos tempos atuais e sobre a venda de afeto que se chama Cuddle. Esse é o meu projeto mais ambicioso e bem autoral também. Espero que eu consiga dinheiro para fazer ele logo. O filme tem um roteiro lindo da Maria Camargo. Será um filme para o mundo.

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(colagem Laís Brevilheri /sobre foto João Rocha @cidadecinza23/Redação Bravo!)
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