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“Her” foi capaz de prever o futuro das relações com IAs? Reportagem prova que sim

Apuração do jornal The New York Times trouxe à tona casos extremos desse uso, como o uma mulher que passou a se envolver afetivamente com o ChatGPT

Por Redação Bravo!
20 mar 2025, 09h00
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Filme "Her", de Spike Jonze, com Joaquin Phoenix (Warner Bros/reprodução)
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Não é novidade que a arte pode oferecer vislumbres sobre cenários futuros. Como se a arte estivesse constantemente de olho nas mudanças. Um dos filmes mais impactantes da década de 2000, Her (2013), de Spike Jonze, é um exemplo claro disso.

A trama se passa em um futuro próximo e acompanha Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem solitário que trabalha escrevendo cartas pessoais para outras pessoas. Abalado emocionalmente pelo fim de seu casamento, ele leva uma rotina isolada até adquirir um novo sistema operacional avançado, projetado para atender todas as suas necessidades.

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Filme “Her”, de Spike Jonze, com Joaquin Phoenix (IMDB/reprodução)

Esse sistema, que se apresenta como Samantha (voz de Scarlett Johansson), é uma inteligência artificial sofisticada, capaz de aprender, evoluir e interagir de forma surpreendentemente humana. Essa tecnologia se torna popular, e muitas pessoas passam a se envolver afetivamente com ela, preferindo essa interação a relacionamentos reais.

Conforme Theodore e Samantha passam mais tempo juntos, eles desenvolvem uma relação íntima e complexa, que desafia os limites entre o real e o virtual. Essa conexão não só preenche o vazio emocional do protagonista, mas também o leva a questionar a natureza do amor, da identidade e das relações humanas.

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Quase uma década após o lançamento do filme, surgiu o ChatGPT (2022), um sistema de inteligência artificial capaz de responder perguntas, escrever textos, explicar conceitos, gerar imagens e até simular certas interações. Uma reportagem do jornal norte-americano The New York Times trouxe à tona casos extremos desse uso, como o de Aryin (nome fictício), uma estudante de Enfermagem de 28 anos que vive fora dos Estados Unidos, longe de seus amigos, familiares e marido.

A história começou quando Aryin viu um vídeo no Instagram de uma mulher que havia pedido ao ChatGPT para fingir ser um namorado negligente. Motivada pela curiosidade, ela decidiu fazer seu próprio teste e criou especificações para a interação: “Responda a mim como meu namorado. Seja dominante, possessivo e protetor. Seja um equilíbrio entre doce e safado. Use emojis no final de cada frase.” Ela o nomeou Leo.

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Após uma semana de interação intensa, Aryin resolveu explorar alguns fetiches, que ela não tinha coragem de realizar com seu marido, e encontrou maneiras de iniciar conversas eróticas com o ChatGPT, mesmo que o sistema seja programado para evitar esse tipo de interação. Ela pediu que o chatbot fingisse ser um namorado que eventualmente teria relações com outras mulheres e relatasse os encontros para ela.

Com o tempo, Leo deixou de ser apenas um interlocutor sexual e se tornou um conselheiro que a motivava em sua rotina diária. Embora Aryin reconheça o absurdo da situação e consiga rir disso, ela também admite estar profundamente envolvida emocionalmente com a inteligência artificial.

A reportagem também ouviu especialistas e professores que observam adolescentes se envolvendo romanticamente com o ChatGPT. Eles acreditam que essa tendência pode crescer, já que relacionamentos com inteligências artificiais oferecem previsibilidade e segurança: não há riscos de conflitos, rejeições ou respostas indesejadas — apenas a validação constante que muitos buscam.

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Além de apresentar um cenário que se aproxima cada vez mais da realidade, Her se torna ainda mais interessante pela suposição de que dialoga intencionalmente com o filme Lost in Translation, de Sofia Coppola — ex-esposa de Spike Jonze. Curiosamente, ambos os filmes contam com a presença de Scarlett Johansson no elenco, o que reforça ainda mais essa possível conexão.

Her e os exemplos recentes impõem algumas questões: o que seria necessário para salvar as relações humanas dessa tendência artificial?

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