Quem é Mikey Madison e como a juventude – e o etarismo – ainda são oxigênio de Hollywood
Com sua vitória, atriz desponta como uma das mais jovens vencedoras do Oscar

Meses atrás, quando as indicações para o Oscar ainda não tinham saído, o The Hollywood Reporter manteve sua tradição de reunir as possíveis indicadas ao Oscar em uma mesa redonda para um papo descontraído. Estavam na mesa: Zoe Saldaña, Angelina Jolie, Demi Moore, Zendaya, Tilda Swinton e… Mikey Madison. Todas (em especial Zoe) falando muito, enquanto Mikeypraticamente só observava. Esse perfil de discrição extrema não é necessariamente bom em Hollywood, mas está fez a diferença para o Oscar em 2025.
Mikey é uma atriz diferente para os padrões de sua idade. Por exemplo, não está nas redes sociais. E de desconhecida por boa parte do mais de um bilhão de pessoas que acompanharam a transmissão do Oscar, é hoje um dos nomes mais pesquisados na Internet. A vida dela não é mais a mesma, temos certeza.

Mikey Madison tem se destacado nos últimos anos por suas performances marcantes no cinema e na televisão, marcando presença em produções de grande impacto. Filha de psicólogos, que, segundo ela, a ajudaram a ter uma visão mais profunda do comportamento humano, Mikey decidiu que queria ser atriz quando assistia filmes antigos de John Hughes, especialmente influenciada pelos filmes de Molly Ringwald, Gatinhas e Gatões (16 Candles) e A Garota de Rosa (Pretty In Pink) assim como tudo que River Phoenix fez, claro, incluindo o clássico Conta Comigo (Stand ByMe). Portanto, é uma triste ironia de que ela tenha superado uma das grandes musas daquela década – Demi Moore, hoje com 62 anos – e ido para casa com o Oscar de Melhor Atriz do ano.
Como começou a carreira de Mikey Madison
Ela estreou na série da FX, Better Things, mas foi em 2019 que chamou a atenção, quando interpretou a assustadora Susan Atkins em Era Uma Vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino. Susan, ou Sadie, foi uma das seguidoras mais fieis da Família Manson e quem matou a atriz Sharon Tate, mas, na visão de Tarantino teve outro destino, um que faz parte de uma das sequências mais intensas e memoráveis do filme. Seu desempenho chamou a atenção pela intensidade e entrega à personagem. Sean Baker fez essa alusão quando recebeu o Oscar de melhor Diretor das mãos de Tarantino, resumindo: “Sem Era Uma Vez em Hollywood não haveria Anora”.
Outro filme no qual Mikey se destacou foi em Hereditário, em um papel menor, mas que confirmou sua capacidade de integrar-se a narrativas psicológicas densas e atmosferas perturbadoras, contribuindo para o impacto emocional do longa-metragem. Também foi elogiada em Pânico, de 2022, onde fez mais uma a vilã inesquecível, Amber Freeman.
Sean Baker escreveu Anora com Mikey em mente, ganhando a vantagem de que ela ainda não era tão conhecida pelo grande público, se transformando na personagem título. Para o papel, Mikey aprendeu falar russo e dançar como a personagem, mas seu estilo de atuação é marcado por uma presença enigmática e um olhar expressivo, que transmitem emoções complexas sem a necessidade de grandes exageros.

O ritmo suave com o qual Mikey vinha construindo sua filmografia ganhou um acelerador incrível. Sua escolha por projetos instigantes e sua dedicação à arte interpretativa indicam que seu futuro na indústria promete grandes performances e personagens memoráveis. Ela tem uma visão clara dos diretores com quem quer trabalhar em seguida, incluindo Alice Rohrwacher, Coralie Fargeat e Luca Guadagnino.
Com apenas 25 anos, ela pensa em uma carreira longeva, eventualmente dirigindo, mas com o plano de “fazer filmes até os 100 anos”, mas apenas em obras que façam a diferença.
No momento ela não está envolvida em nenhum projeto, algo que deve mudar imediatamente. Sua vitória no BAFTA, a duas semanas do Oscar, mostrou que a disputa de 2025 não era, como muitos (eu inclusive) estava entre Fernanda Torres ou Demi Moore, mas, quando perdeu o SAG Awards tudo apontava para a narrativa de ser a vez de Demi. E foi a atriz de A Substância a “derrotada” da noite, não Fernanda Torres.
A atriz brasileira, sempre brilhante e com os pés no chão, era uma das favoritas da noite, mas nos lembrou que era mais importante Ainda Estou Aqui ganhar como filme porque esse Oscar seria tão dela como de todos envolvidos no filme.

Demi Moore (62), Tilda Swinton (64) e Pamela Anderson (57) (fotos de Fernanda, Amy, Demi, Kate e Pamela: Amy Sussman / Getty Images . Tilda: Taylor Hill / Gettyiages. Nicole: Kevin Mazur/Gettyimages./fotografia)
A ironia da Substância da vida real
Já, A Substância, que ganhou Melhor Maquiagem, era essencialmente a atuação de Demi. Ela estava feliz de ter recebido a indicação, que já a validou como merecia, mas a vitória seria a coroa que ela almejava mais.
O pior é que a noite de dois de março simplesmente reforçou tudo que A Substância alerta e critica: juventude é o oxigênio de Hollywood, especialmente quanto se refere às mulheres. Entre os homens, Timothée Chalamet estava cotado, mas em geral é a experiência como a de Adrien Brody que é premiada. Na categoria feminina, é o frescor que pesa.
Quais são as 10 atrizes mais jovens que ganharam um Oscar de Melhor Atriz?
A juventude de Mikey não reduz seu mérito em nada e ela agora está na história do Oscar como uma das vencedoras mais jovens de todos os tempos. Ela desbanca Vivien Leigh da lista das 10 mais jovens, porque Vivien tinha 26 anos completos quando ganhou por E Vento Levou, em 1939, e Mikey ainda não fez aniversário esse ano. Falando nesse Top 10, é inegável reconhecer que a idade tradicional das atrizes na categoria principal é mesmo 25. Audrey Hepburn, Grace Kelly, Hillary Swank e Julie Christie tinham no máximo 26 anos quando ganharam seus Oscars.

Afinal, por que Mikey ganhou o Oscar 2025 de Melhor Atriz?
Quem ficou surpreso com a vitória de Mikey não estava acompanhando direito as premiações. Ela, que venceu Cannes, era a favorita no início da temporada, viu Demi ganhar destaque, mas retomou a liderança com a vitória no BAFTA. Ao final, a vitória de Mikey Madison no Oscar de 2025 é uma celebração não apenas de seu talento, mas também de uma nova era no cinema, onde a autenticidade e a dedicação se sobrepõem às expectativas. Sua ascensão meteórica reflete uma mudança de mentalidade, onde a juventude, longe de ser vista apenas como efêmera, pode representar profundidade, inteligência e comprometimento com personagens complexos.
A atuação de Mikey em Anora é madura e enigmática. Se ela continuar no caminho que escolheu, certamente a carreira de Mikey Madison será lembrada por gerações. E, quem sabe, daqui a 30 ou 40 anos, ela mesma poderá estar contando histórias para um novo grupo de jovens promissores, enquanto continua a fazer filmes que façam a diferença, como planeja. A história de Mikey Madison é só o começo de algo ainda mais grandioso.