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Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez ganham estátuas em Belo Horizonte

As esculturas, esculpidas em bronze por Léo Santana foram instaladas no no Parque Municipal de Belo Horizonte

Por Redação Bravo!
Atualizado em 3 jul 2024, 13h39 - Publicado em 3 jul 2024, 10h00

Imortalizadas, a escritora Carolina Maria de Jesus e a intelectual Lélia Gonzalez ganharam duas esculturas instaladas no Parque Municipal de Belo Horizonte, em frente ao Teatro Francisco Nunes. As estátuas foram inauguradas no último domingo (30) e fazem parte de uma iniciativa que busca homenagear autores negros que contribuíram para a cultura brasileira.

Esculpidas em bronze por Léo Santana, as obras possuem o tamanho real das autoras. O artista é o mesmo responsável por outras esculturas famosas como a de Drummond, na orla de Copacabana no Rio de Janeiro (um dos monumentos públicos mais visitados da cidade) e de Graciliano Ramos, na orla da praia de Ponta Verde, em Maceió. 

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Estudo para a obra (Leo Santana / Instagram/reprodução)

A proposta foi idealizada pela jornalista e acadêmica Etiene Martins. Pioneiro, o projeto desafia uma prática secular que apenas homenageava homens brancos, destacando a importância de reconhecer a contribuição de mulheres negras na história e cultura do Brasil. Que seja o primeiro de muitos!

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“Há alguns anos venho pesquisando as relações raciais e de gênero. Nessas pesquisas, fui entendendo como se dão os processos de invisibilização, subalternização e epistemicídio das pessoas negras. Ao analisar Belo Horizonte, minha cidade natal, cheguei à conclusão de que é necessário fazer algo para mudar o apagamento das pessoas negras no cenário urbano. Como as estátuas são um elemento muito presente na cidade, utilizadas como estratégia para preservar a memória e, ao mesmo tempo, de exclusão, resolvi começar por aí”, explica Etiene, ao falar sobre a ideia.

Ela conta que o projeto deve continuar homenageando outras figuras célebres negras. “Iniciei um criterioso processo de pesquisa para escolher quem seriam as primeiras pessoas negras homenageadas. Cheguei aos dois primeiros nomes. São elas: Lélia Gonzalez e Maria de Jesus. Ambas conhecidas internacionalmente por seus trabalhos, mas apagadas da memória mineira. São muitos os nomes negros que merecem e devem ser lembrados. Começamos com Lélia e Carolina, mas esse é um projeto que estou trabalhando para levar também para outras cidades de Minas.”

As homenageadas:

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Desenhos de estudo para a estátua de Maria arolina de Jesus (Leo Santana / Instagram/reprodução)

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) foi uma escritora brasileira, conhecida por seu diário que deu origem ao livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”. Nascida em Sacramento, Minas Gerais, Carolina mudou-se para São Paulo, onde passou a viver na favela do Canindé. Trabalhando como catadora de papel para sustentar seus filhos, ela começou a registrar suas experiências diárias em cadernos. Suas anotações oferecem uma visão crua e autêntica da vida na favela, abordando temas como fome, violência e marginalização. A publicação de “Quarto de Despejo” em 1960 trouxe à luz as difíceis condições de vida nas periferias urbanas e transformou Carolina em uma importante voz da literatura brasileira.

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Esboço de estudo para a estátua de Lélia Gonzaez (Leo Santana / Instagram/reprodução)

Lélia Gonzalez (1935-1994) foi uma renomada intelectual, professora, antropóloga e ativista política brasileira, destacando-se na luta pelos direitos das mulheres negras no Brasil e na América Latina. Nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1 de fevereiro de 1935, Gonzalez era filha de pai negro e mãe indígena. Formou-se em História e Filosofia pela Universidade do Estado da Guanabara, no Rio de Janeiro, e posteriormente em Antropologia. Gonzalez foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado e uma das principais vozes do feminismo negro no país. Seus trabalhos mais influentes incluem “Lugar de Negro” (1982) e “Festas Populares no Brasil” (1987). Através de seus escritos e ativismo, Gonzalez destacou a interseção entre racismo, sexismo e opressão econômica, propondo uma identidade afro-latino-americana e promovendo a valorização das contribuições culturais africanas na formação das identidades latino-americanas. Seu legado continua a inspirar movimentos sociais até hoje.

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