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Literatura, carinho e um bolo divino caracterizam a nova livraria bibla

O espaço, que acaba de ser inaugurado, propõe acolher a comunidade local por meio da junção de livros e café

Por Beatriz Lourenço
Atualizado em 20 Maio 2024, 11h26 - Publicado em 20 Maio 2024, 09h00

O que faz uma livraria ser um ambiente acolhedor? Para Isadora Peruch, Luciana Gil e Alessandra Effori, fundadoras da bibla, é a sensação de entrar em uma “casa de vó”. É por isso que o novo espaço, inaugurado no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo, pretende ser não só uma loja, mas um lugar de encontros e descobertas literárias.

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Luciana Gil, Alessandra Effori e Isadora Peruch da nova livraria Bibla: livros com café (Bruno Donato/divulgação)

Tudo começou quando as amigas, que moram na região, se viram rodeadas – e incomodadas – por edifícios, reflexo da verticalização da cidade. “Conversamos com amigos e todos tinham necessidade de ter um lugar gostoso para passar a tarde, fazer reuniões ou encontrar amigos”, conta Isadora. O trio estava de olho na mesma locação para abrir estabelecimentos diferentes: enquanto Isadora pensava em criar uma cafeteria, Luciana e Alessandra queriam uma livraria. Até que o trio se encontrou e decidiu unir forças.

O projeto ocupa um casarão de 180 m² de dois andares e conta também com um café. A reforma durou um ano e a decoração foi pensada para trazer conforto. Quase toda a mobília e itens decorativos foram garimpados em leilões e lojas de móveis usados, restaurados para ganhar uma nova casa. “A experiência é sensorial. A almofada de crochê tem um toque gostoso. O cheiro do café ocupa o ambiente. A música é agradável e as xícaras são vintage, evocando nossas memórias de infância”, diz Alessandra.

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(Bruno Donato/divulgação)

Ao todo, o acervo é constituído por 4 mil títulos e cerca de 6 mil exemplares de diferentes editoras, pequenas e grandes. As seções têm divisões pouco convencionais: a seleção de biografias, por exemplo, se chama “A vida dos outros”. Já a de lançamentos ganhou o título de “Pão quentinho”. As obras dramáticas ganharam a prateleira “Soco no estômago”. A ideia é fazer com que os visitantes se aproximem dos livros sem medo, deixando de lado a fama de “intocáveis”.

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(Bruno Donato/divulgação)

“Nosso desejo é que todos se sintam livres, à vontade. Queremos que as pessoas peguem um livro e leiam enquanto tomam uma bebida gostosa”, reforça Luciana. “Isso vai de encontro com a proposta de ocupação dos espaços públicos. Já escutamos muita gente falando que é romântico abrir uma livraria. Pelo contrário: precisamos fortalecer os bairros e formar comunidades fortes”. Dessa forma, o local também planeja abrigar clubes do livro, rodas de conversas e pequenas apresentações em um palco especialmente projetado para esse fim.

O nome, curioso e escrito em letra minúscula, foi um presente de Ricardo Barreto, um dos fundadores do festival de linguagem eletrônica FILE, junto com Paula Perissinotto. Sem definição no dicionário, o termo foi pensado a partir da sonoridade convidativa e da proximidade com “biblíon”, como são chamados os livros em grego. “Primeiro, escrevemos os nomes em uma caixinha e tiramos aleatoriamente para ver o que cada uma achava. Perguntamos para pessoas próximas até que o Ricardo me ligou e contou essa ideia”, explica Alessandra. “Agora a gente quer virar verbete. Que entendam que aqui tem livros, uma comida de excelência e um bom atendimento.”

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Para saborear junto com uma boa história (Bruno Donato/divulgação)

A cafeteria, por sua vez, apresenta cafés especiais, refeições leves, além de parcerias com fornecedores como o Pão de Queijo — Haddock Lobo e alguns sanduíches criados pelo chef Julio Raw, da hamburgueria Z Deli. O café coado da loja é refil, ou seja, é possível consumir durante um dia todo por R$ 24. “A gente procurou fazer um cardápio com coisas que gostamos de comer. São lanches levinhos e um bolo divino nomeado em homenagem à Divina, a senhora que faz esses bolos caseiros deliciosos”, relata Isadora.

A expectativa para o futuro está alta. O trio já recebeu as visitas ilustres dos escritores Florestan Fernandes e Natália Timerman. Também já reservaram o local para eventos privados de editoras renomadas, como a Companhia das Letras. “Estamos em constante transformação, há vários ajustes que ninguém percebe que ainda precisamos fazer, só a gente. Mas estamos felizes por fazer parte da rotina do nosso entorno”, finaliza Luciana.

 

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