O que ler em janeiro: lista de lançamentos
Reedições e novidades literários que marcam o início de 2026 e ajudam a calibrar o ritmo pós-virada
2026 mal começou, e ainda estamos assimilando o que vem pela frente. O período que antecede o carnaval costuma ser, por natureza, um tempo de ajuste de ritmo. Algo que ninguém pode nos tirar. A programação cultural também seguem essa cadência própria, retomando o fôlego aos poucos. Ainda assim, não faltam opções para ocupar o tempo, ampliar o repertório e aliviar os sentidos por meio da estética e do afeto. Nesta lista, reunimos alguns dos lançamentos literários de janeiro, entre reedições aguardadas e novidades.
Antologia mamaluca (Círculo de Poemas, 2026), Sebastião Nunes
Antologia mamaluca reúne um amplo panorama da obra de Sebastião Nunes, poeta cuja produção atravessa mais de três décadas e resiste a classificações convencionais. Organizado por Fabrício Marques, o volume apresenta mais de cem trabalhos que combinam poesia, experimentação gráfica e humor corrosivo, marcas centrais de sua escrita. A coletânea reúne textos extraídos de livros publicados entre 1968 e 1989, como Última carta da América, A Cidade de Deus, Zovos e Papéis higiênicos, evidenciando uma criação que dialoga com diferentes linguagens visuais e literárias.
Aziri (Círculo de Poemas, 2026), Luciany Aparecida
Aziri, de Luciany Aparecida, parte de uma fotografia do século XIX para dar corpo poético à história fragmentada de uma mulher africana apagada pelos registros oficiais. Inspirada na imagem feita por Christiano Junior entre 1864 e 1865, a plaquete imagina a trajetória de Aziri Dagwa, criança sequestrada na região do rio Níger, traficada para o Brasil e rebatizada na Bahia como Francisca Maria, conhecida como Chica d’Água. Sem pretensão de reparar o apagamento histórico, o livro propõe um gesto de escuta e reinvenção, em versos que evocam travessia, ancestralidade e memória. A obra integra uma trilogia dedicada a mulheres negras do século XIX, iniciada com Macala (2022).
A trinca do curvelo: Os afetos de Manuel Bandeira (Todavia, 2026), Elvia Bezerra
A trinca do Curvelo, de Elvia Bezerra, revisita a convivência singular entre Manuel Bandeira, Nise da Silveira e Ribeiro Couto, que, por coincidência, dividiram o mesmo endereço em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX. A partir de uma crônica de Bandeira sobre o bairro, a autora constrói uma narrativa que cruza crítica literária, memória e jornalismo cultural para traçar uma espécie de biografia coletiva desse trio central da vida intelectual brasileira.
Luanda, Lisboa, Paraíso (Todavia, 2026), Djaimilia Pereira de Almeida
Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida, acompanha a trajetória de Aquiles, um menino angolano nascido nos anos 1970 com uma má-formação que exige uma cirurgia só possível em Portugal. Às vésperas do limite de idade para o procedimento, ele e o pai, Cartola, deixam Luanda rumo a Lisboa, acreditando em uma permanência breve e na promessa de acolhimento da antiga metrópole. O que encontram, porém, é a experiência do exílio: o preconceito, a condição de imigrantes e o distanciamento progressivo da terra de origem.
Nossos amigos do campo (Todavia, 2026), de Gary Shteyngart
O livro acompanha um grupo de amigos que se refugia em uma casa de campo nos Estados Unidos durante a pandemia de 2020. Os anfitriões são um escritor em declínio e sua esposa psiquiatra, ambos imigrantes russos, que recebem convidados tão diversos quanto um ator narcisista, uma jovem intelectual ambiciosa, um ex-professor indiano em recuperação e uma empresária coreano-americana enriquecida no universo dos aplicativos. O confinamento expõe tensões, desejos e frustrações, transformando a convivência em um jogo delicado de afetos e conflitos.
Slow Horses (Slough House — vol. 1), Mick Herron (Intrínseca, 2026)
Inédito no Brasil, Slow Horses inaugura a série de espionagem de Mick Herron que deu origem à premiada adaptação da Apple TV+. O romance apresenta os “slow horses”, agentes do MI5 rebaixados após erros graves e confinados à decadente Slough House, onde cumprem tarefas inúteis sob o comando do brilhante e nada ortodoxo Jackson Lamb. Quando o sequestro de um jovem ameaça expor o país ao caos, esse grupo desacreditado vê a chance de redenção — e se lança em uma investigação que desafia a lógica do próprio serviço secreto.
Leões adormecidos (Slough House — vol. 2), Mick Herron (Intrínseca, 2026)
No segundo volume da série, a rotina morna da Slough House é rompida quando Jackson Lamb desconfia da morte de um ex-espião da Guerra Fria. A investigação traz à tona Alexander Popov, uma figura envolta em mistério que ressurge após décadas e arrasta os slow horses para um labirinto de pistas falsas, memórias enterradas e jogos de poder entre agentes britânicos e russos.
O escorpião encalacrado (Companhia das Letras, 2026), de Davi Arrigucci Jr.
Essa é uma leitura decisiva da obra de Julio Cortázar e um marco do ensaísmo literário brasileiro. No livro, Davi Arrigucci Jr. investiga os eixos centrais da ficção cortazariana — suas filiações, experimentações e impasses — ao mesmo tempo em que discute questões fundamentais da literatura contemporânea. Reconhecido pelo próprio Cortázar como uma das análises mais precisas de sua obra, o ensaio segue atual décadas após sua publicação. Mais do que um estudo crítico exemplar, o livro propõe uma reflexão sobre o papel ativo do leitor e sobre formas de escrita que desafiam convenções, reafirmando sua importância para a compreensão da literatura do século XX e além.
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