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Quem foi Affonso Romano de Sant’Anna; Conheça suas principais obras

Relembre algumas obras inesquecíveis de Affonso Romano de Sant'Anna; o escritor foi homenageado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Por Redação Bravo!
Atualizado em 5 mar 2025, 17h26 - Publicado em 5 mar 2025, 17h23
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 (Lina Faria / Biblioteca Pública do Paraná/reprodução)
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Morreu ontem (4), aos 87 anos, o poeta, cronista e ensaísta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna, vítima de complicações do Mal de Alzheimer. Diagnosticado com a doença em 2017, ele estava acamado há quatro anos. Era viúvo da escritora Marina Colasanti, sua companheira desde 1971, falecida em janeiro deste ano. Deixa a filha Alessandra Colasanti e um neto.

Affonso Romano destacou-se por sua sensibilidade ao abordar temas sociais, culturais e políticos. Como presidente da Fundação Biblioteca Nacional (1990-1996), incentivou a leitura e valorizou o livro, contribuindo significativamente para o fortalecimento do setor editorial no Brasil.

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Affonso Romano de Sant’Anna (Reprodução/reprodução)

Affonso Romano teve uma destacada carreira acadêmica, contribuindo para a criação do curso de pós-graduação em literatura brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Lecionou em diversas instituições internacionais, como a Universidade do Texas e a UCLA, nos Estados Unidos, e a Universidade de Aix-en-Provence, na França.

Affonso Romano publicou mais de 60 obras ao longo de seis décadas. Em 2006, recebeu o Prêmio Jabuti de Poesia pelo livro “Vestígios”. Como cronista, colaborou com diversos jornais, incluindo Jornal do Brasil, O Globo, Estado de Minas e Correio Braziliense.

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A Câmara Brasileira do Livro (CBL) lamentou seu falecimento, destacando sua trajetória literária e intelectual que marcou a cultura brasileira ao longo de décadas. A CBL ressaltou sua sensibilidade e profundidade ao abordar temas relevantes e sua contribuição para o fortalecimento do setor editorial no país. “Sua trajetória literária e intelectual marcou a cultura brasileira ao longo de décadas. Affonso Romano destacou-se pela sensibilidade e profundidade com que abordava temas sociais, culturais e políticos. Como presidente da Fundação Biblioteca Nacional (1990-1996), foi um grande incentivador da leitura e da valorização do livro, contribuindo significativamente para o fortalecimento do setor editorial no Brasil”, diz o texto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também expressou pesar pela perda, ressaltando a importância de Affonso Romano para a cultura brasileira. “Com tristeza e pesar, recebi a notícia da morte do escritor mineiro Affonso Romano de Sant’anna. Com mais de 60 obras produzidas, Affonso contribuiu intensamente para a promoção da cultura brasileira”, declarou o presidente em nota oficial.

Conheça algumas de suas obras:

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Que país é este? (Rocco, 1990)

Publicado durante a ditadura militar, a obra é uma coletânea de poemas que marcou a literatura brasileira ao questionar a identidade nacional e denunciar as contradições do país. O poema-título ganhou repercussão imediata, sendo traduzido e amplamente difundido em diversos espaços públicos. A obra antecipa debates que se tornariam centrais nas décadas seguintes, abordando temas como o papel da mulher, a questão indígena, a violência urbana e a preocupação ecológica.

Vestígios (Rocco, 2005)

Coletânea de poemas que explora temas como memória, existência e a natureza humana. O autor utiliza suas experiências pessoais e observações para refletir sobre a vida e o tempo. A obra foi reconhecida com o Prêmio Jabuti de Poesia em 2006.

Crônicas para jovens (Global Editora, 2011)

Nesta obra, o poeta reúne crônicas marcadas por um tom poético, um humor leve e reflexões sobre o cotidiano. Entre os textos, destacam-se temas como juventude, aprendizado, amor e passagem do tempo, explorados em títulos como Antes que Elas Cresçam, O Vestibular da Vida, O Surgimento da Beleza e Limpar as Palavras. A coletânea também traz uma entrevista exclusiva com o autor, oferecendo ao leitor a oportunidade de conhecê-lo mais de perto. Em suas palavras, Sant’Anna ressalta a conexão entre leitura e escrita, afirmando que “escrever é ler a si mesmo e ao outro”.

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Sísifo desce a montanha (Rocco, 2012)

Neste livro, Sant’Anna reflete sobre a passagem do tempo e a finitude, recorrendo ao mito grego de Sísifo para abordar os desafios e aprendizados da vida. Quando publicou o livro, poeta, já com mais de 70 anos, apresentou uma coletânea de poemas que dialogam com temas recorrentes em sua obra, como história, viagens e a relação com os animais, mas com um olhar amadurecido pela experiência e pelo exercício contínuo da palavra.

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