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OLÁ,

A história da música “Eu te amo”, de Chico e Tom

Em dueto de amor crepuscular, os amantes dizem os encantos e expressam a dor da paixão desmedida

Por Redação Bravo!
31 dez 2024, 08h00
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Chico nos anos 1970. Ao lado das canções políticas, o encantamento e a desilusão do amor (Armando Rosário / Bravo Especial 100 cançãoes essenciais da música brasileira/acervo rede Abril)
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Na voz de Chico Buarque e Telma Costa, “Eu Te Amo” foi lançada no álbum Vida (1980), que trouxe de volta, em grande estilo, a predominância do lirismo, que marcara a obra do compositor antes de sua fase mais claramente política, ao longo década de 70. Como aconteceria também em seu disco seguinte, Almanaque (1981), Chico se distancia dos temas sociais e envereda por canções nas quais uma mistura de encantamento e desilusão, amorosa e existencial, prevalece.

 

 

Como aponta o jornalista Fernando de Barros e Silva, no livro Chico Buarque, o lirismo renovado do compositor aparece agora aliado a uma “ironia mais aguda, que não poupa nada nem ninguém, muito menos a si mesmo”. “Eu Te Amo”, “uma das mais belas canções de amor da música brasileira”, como escreveu o jornalista Sérgio Vaz, no Jornal da Tarde, amarga o fim de um grande amor, sem esperança de recomeço, mas com apego a lembranças carregadas de erotismo:

“Se nós, nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir”

No dueto da gravação original, o canto agudo de Telma é pontuado pelo timbre despojado de Chico, servindo de âncora ao longo da canção que foi a grande estrela musical do filme Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, lançado em 1981. A alquimia entre os intérpretes intensifica o efeito cortante dos versos, que combinam a memória do amor com a dor da separação:

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“Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu”

Na mesma gravação, o piano ficou a cargo do autor da música, Tom Jobim. “O Tom sempre foi muito generoso e amoroso comigo”, disse Chico certa vez. “Eu disse num momento de emoção: ‘Tudo que eu faço é para o Tom’, e realmente isso saiu de forma impensada, mas é uma verdade. Tem um poema de João Cabral (de Melo Neto) que fala numa pessoa que estaria por cima do seu ombro, vendo o que você está escrevendo — o Tom é muito isso. Muitas coisas que eu escrevi, músicas que eu fiz, eu tinha a impressão, ou gostaria, que o Tom estivesse por cima do meu ombro vendo aquilo, aprovando ou não. Mesmo porque já mais pro fim da vida o Tom não tinha mais muita paciência para ouvir coisas novas, e eu já não tinha muita esperança”, conta o letrista, músico e escritor sobre a relação com seu grande parceiro e amigo.

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Em Vida, canção que abre o disco, Chico faz um balanço precoce da própria existência e parece buscar nos versos onde foi parar a felicidade que se perdeu — eco do mal-estar e do sentimento crepuscular já muito presentes na canção “Bye Bye, Brasil”, de 1979. Apesar de sutis, as referências políticas remetem aos embates do autor com a ditadura e seus agentes:

Toquei na ferida

Nos nervos, nos fios

Nos olhos dos homens

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De olhos sombrios.

A canção continua, dizendo “luz, quero luz”, o que dá o tom para as faixas seguintes, como Eu Te Amo, em que soa, não menos grave, outro pedido numa busca de novos rumos e novos sentidos: “Me diz pra onde é que inda posso ir”.

 

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