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OLÁ,

Morre a coreógrafa Angel Vianna, aos 96 anos

Pioneira da dança contemporânea brasileira, Angel dedicou grande parte de sua trajetória ao estudo do movimento, relacionado à investigação da anatomia

Por Redação Bravo!
4 dez 2024, 09h00
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Angel Vianna (André Seiti / Itaú Cutural/reprodução)
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Morreu no último dia 1º, aos 96 anos, a bailarina, pesquisadora e coreógrafa Angel Vianna. O falecimento foi anunciado por meio de uma nota da Faculdade de Dança Angel Vianna, fundada por ela no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.

Reconhecida como uma das figuras mais relevantes da dança contemporânea brasileira, Angel formou discípulos de diversas gerações em todo o país. Homenagens à coreógrafa estão previstas em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

Em 1955, ao lado de seu marido, Klauss Vianna (1928-1992), Angel fundou o Ballet Klauss Vianna, que incorporava elementos da dança moderna. Juntos, o casal se dedicou a romper com as tradições europeias da dança e a explorar caminhos para uma expressão que pudesse ser considerada autenticamente brasileira. Posteriormente, o filho do casal, Rainer Vianna (1959-1995), integrou o projeto, fortalecendo o legado familiar.

Na década de 1960, Angel iniciou os estudos que marcariam sua trajetória. Com um interesse particular pela anatomia, passou a investigar práticas de reeducação do corpo. Sua pesquisa em educação somática tornou-se uma de suas maiores contribuições, destacando o corpo e o movimento como instrumentos de autopercepção e transformação. Sua abordagem integrava dança, terapia corporal e consciência do movimento, promovendo uma visão ampliada do corpo, que considerava suas dimensões físicas, emocionais e expressivas.

Mais do que repetir passos coreografados, Angel buscava compreender os fundamentos do movimento. Entre suas lições mais marcantes, destacou-se a máxima: “Não decore os passos, aprenda o caminho”. Durante a sua trajetória, dedicou-se também ao estudo do movimento no teatro e à preparação física de atores.

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Ao longo das décadas seguintes, Angel lecionou em diversas escolas e universidades, além de fundar e colaborar com grupos de dança. Entre seus legados está o Instituto de Pesquisa Arte Corpo e Educação (Ipaceav), que dedicou esforços à pesquisa e ao trabalho com pessoas com necessidades especiais.

Em reconhecimento à sua trajetória, Angel recebeu o Prêmio Mambembe pelo conjunto de sua obra em 1997. Em 2003, foi agraciada com o título de Doutora Notório Saber pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), consolidando seu impacto como referência na dança e na educação somática no Brasil.

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