Aracy Amaral (1930-2026): relembre a trajetória pioneira da curadora
Uma das principais críticas de arte do Brasil morreu aos 96 anos
A pesquisadora, crítica de arte, gestora, curadora, jornalista e professora Aracy Amaral (1930-2026) morreu nesta terça-feira (15), aos 96 anos. Aracy foi uma das primeiras mulheres a ocupar cargos de alto escalão em instituições culturais no Brasil. O anúncio da morte foi feito por amigos e familiares, mas a causa não foi divulgada.
Aracy nasceu em São Paulo em 1930 e formou-se em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero na década de 50. Logo, se atraiu pelo mundo das artes. Ela participou da primeira Bienal de São Paulo, como estudante, em 1951, e desde então, frequentou todas. Após algumas experiências nessa área, especializou-se nas pesquisas acadêmicas em artes visuais. Sua produção nesse campo abrange, entre outros temas, o modernismo brasileiro, com especial ênfase na obra de Tarsila do Amaral, a arte latino-americana, o construtivismo brasileiro e a influência hispânica na arquitetura paulista.
Ela foi diretora da Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre 1975 e 1979, e do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, de 1982 a 1986. Na USP, também foi professora na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
Em 1969, tornou-se mestre em história da arte pela USP com o trabalho As Artes Plásticas na Semana de 22, livro que se tornaria referência nos estudos da área na década seguinte. No mesmo ano, curou a marcante exposição Tarsila – 50 Anos de Pintura, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ).
Sua relação com Tarsila do Amaral também foi marcada pela primeira grande catalogação das obras da artista, feita pela curadora na publicação Tarsila: Sua Obra e Seu Tempo, em 1975. Décadas depois, em 2008, a historiadora supervisionou a criação do catálogo raisonné da modernista, considerado a compilação definitiva de sua produção artística.
Há dez anos, em 2015, assinou a curadoria do 34º Panorama da Arte Brasileira do MAM de São Paulo, quando escolheu conjugar passado e presente ao convidar seis artistas para criar trabalhos em diálogo com os zoólitos, objetos milenares encontrados na costa do Brasil.





