Jovem Guarda celebra 60 anos com exposição no MIS
A mostra, exibida no museu em São Paulo, desde 27 de fevereiro, reúne álbuns, pôsteres, fotografias, capas de revistas, matérias de jornais e itens pessoais

Um dos maiores movimentos musicais dos anos 1960, a Jovem Guarda ganhou uma exposição em celebração aos seus 60 anos. A mostra, exibida no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, desde 27 de fevereiro, reúne álbuns, pôsteres, fotografias, capas de revistas, matérias de jornais e itens pessoais.

A curadoria, assinada por André Sturm, é baseada na coleção do jornalista Washington Morais, dono de um dos maiores acervos sobre música popular das décadas de 1950 a 1970. O material conecta os diversos personagens que fizeram parte do movimento, de empresários a músicos, ajudando a reconstituir o nascimento e as diferentes fases da Jovem Guarda.
“Não podíamos deixar passar esta data e celebrar os 60 anos desse movimento que marcou tanto a cultura brasileira, a Jovem Guarda. Tivemos a sorte de ter acesso a um acervo maravilhoso do Washington Morais, que nos permitiu oferecer ao público uma viagem no tempo, de volta ao coração desse momento tão dinâmico e eletrizante”, declarou André Sturm, diretor-geral do MIS e curador da exposição, em nota.

Como todo movimento influente, a Jovem Guarda não ditou apenas um estilo musical, mas também influenciou a moda e o comportamento da juventude. O coletivo nasceu a partir do programa televisivo de mesmo nome, exibido pela TV Record a partir de 22 de agosto de 1965. Apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, o programa ia ao ar nas tardes de domingo e durou até 1968. Além do trio, o movimento revelou e impulsionou artistas como Jerry Adriani, Martinha, Os Incríveis, Golden Boys, The Fevers, Ed Carlos e Leno & Lilian. Outros nomes, como Ronnie Von e Eduardo Araújo, seguiram caminhos próprios, mas foram associados ao movimento.
A origem do programa está ligada a uma decisão da Federação Paulista de Futebol, que proibiu a transmissão dos campeonatos aos domingos, alegando que a exibição afastava o público dos estádios. Para evitar a perda de audiência, a emissora buscou uma nova atração. Há também uma versão alternativa para essa história: segundo alguns relatos, um dos diretores da federação foi flagrado pelas câmeras ao lado de sua amante, o que teria motivado o veto.
Na época, Roberto Carlos já era um artista em ascensão. O programa, que apresentava canções do trio e de outros convidados, rapidamente se tornou um grande sucesso. Inspiradas no rock norte-americano e britânico, as músicas falavam sobre os dilemas da adolescência, sonhos, festas, rebeldia e desilusões amorosas.
Em 1968, Roberto Carlos deixou a Jovem Guarda para investir em uma carreira mais voltada à MPB e à música romântica. Sua saída enfraqueceu o programa, que acabou pouco tempo depois. Ainda assim, o movimento deixou marcas profundas na música popular brasileira, influenciando gerações de artistas.
















Museu da Imagem e do Som – MIS | Avenida Europa, 158, Jardim Europa
Data: a partir de 27 de fevereiro (sem previsão de encerramento)
Horários: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos, das 10h às 18h.
Ingresso: R$ 30 (inteira) R$ 15 (meia); terças-feiras gratuitas; terceira quarta-feira do mês (parceria B3): ingresso gratuito, retirada apenas na bilheteria física do MIS no momento da visita. O mesmo ingresso dará acesso também à exposição “Ney Matogrosso”