O que ver na ArPa 2026: feira de arte aposta em curadoria precisa com 100 artistas
Evento celebra 5 anos em São Paulo com novidades internacionais e mais de 60 galerias
A quinta edição da ArPa Feira de Arte começou nesta quarta-feira (27), na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. O evento leva ao espaço estandes de mais de sessenta galerias do Brasil e outros nove países, totalizando cerca de 100 artistas em exposição.
Em seu aniversário de cinco anos, a feira consolida a aposta em uma curadoria precisa e número limitado de artistas por estande. “É um ritmo bem mais acolhedor”, diz a diretora Camilla Barella. “O artista consegue mostrar um corpo de trabalho e consegue ser visto por um público mais diverso, plural, que, por sua vez, consegue absorver melhor a prática do artista.”
Neste ano, o espaço da Mercado Livre Arena foi readequado para caber mais estandes. Mesmo assim, a procura foi maior do que o espaço comporta. Para participar da ArPa, as galerias são convidadas a enviar projetos, que são avaliados e selecionados por um comitê. Para a edição de 2026, o processo de seleção do Setor Principal contou com um novo comitê de conteúdo formado por Fabiola Ceni (Galeria Nara Roesler), Ana Paula Pacianotto (Fortes D’Aloia & Gabriel), Rodrigo Mitre (Mitre Galeria) e Max Perlingeiro (Pinakotheke). “A cada ano sinto o comprometimento das galerias com a qualidade dos projetos”, diz Barella.
O que esperar de cada setor
Além do Setor Principal, onde estão a maior parte das galerias, a ArPa tem o setor UNI, com curadoria da colombiana Ana Sokoloff, no qual as galerias apresentam projetos solo de artistas contemporâneos.
O Setor Base propõe encontros entre artistas que possuem uma vertente pedagógica em seus trabalhos. Cada artista convidado pela ArPa desdobrou o convite para outro artista com quem tenha esse tipo de relação pedagógica. Eles apresentam um projeto juntos, bem como fazem uma conversa ao vivo com o público.
Vale conferir o papo entre a grande Anna Bella Geiger, aos 91 anos, convidada pela ArPa, e sua ex-aluna e assistente, Ana Hortides, na quinta-feira (28), às 14h30, com mediação de Gabriela de Laurentis.
A programação também conta com os encontros entre Mônica Nador e integrantes do JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube, espaço cultural em São Paulo criado pela artista); Iole de Freitas convida o projeto Escolas Vivas; e Ana Mazzei convida Renan Marcondes.
A feira também conta com outros bate-papos. Na quinta, às 18h30, a curadora Ana Carolina Ralston conversa com José Bechara, Raphael Bianco e Arthur Arnold, artistas em cartaz no estande da Galeria Matias Brotas, de Vitória (ES).
No domingo (31), às 13h, Marina Saleme – atualmente em cartaz na Galeria Luisa Strina – conversa com a curadora Galciani Neves. Começando pouco depois, às 13h15, o curador Diego Matos recebe o artista Eustáquio Neves – em cartaz na 61ª Bienal de Veneza – em uma programação em parceria com a Feira do Livro, que também ocorre no Pacaembu a partir de sexta-feira (30). A programação completa está em arpa.art.
Há ainda o Setor Editorial, dedicado à produção gráfica; e o Institucional, com organizações como o Museu de Arte Moderna (MAM) e o Instituto de Arte Contemporânea (IAC).
Novidades e destaques
A galeria argentina Hache retorna à feira após ter participado da terceira edição. Ela traz obras de Santiago García Sáenz, que trabalhou a homossexualidade a partir de uma iconografia religiosa. “É um artista histórico mas ainda pouco conhecido no Brasil”, diz Barella.
Dois países estreiam na ArPa: no Setor UNI, Porto Rico, com a galeria Pérez Puig, que exibe Kiván Quiñones Beltrán; e, no Setor Principal, Venezuela, com Carmem Araujo, que apresenta Augusto Villalba e Juan Iribarren.
No setor UNI, no estande da Cave, de Fortaleza, Gi Monteiro exibe obras em tecido e pinturas, em que formações difusas evocam estados de transição, deslocamento e liberdade.
Juliana Bernabó, na área da Pena Cal Galeria, de Salvador, une estéticas de azulejaria e xilogravura para tematizar o cotidiano. Outra baiana, a RV Cultura e Arte, trouxe obras de Milena Ferreira, que usam azulejos como suporte para pinturas que se apropriam de imagens reconhecíveis, como placas de venda e de avisos.
A Vermelho, de São Paulo, traz o jovem Estevan Davi. Nascido em 1999, o artista adota uma abordagem iconoclasta, reelaborando símbolos e imagens do imaginário de civilizações antigas.
No setor principal, a Pinakotheke exibe obras de Farnese de Andrade. “É uma coleção formada durante duas décadas e que ninguém nunca viu. E considero positivo mostrar artistas históricos em um contexto contemporâneo”, afirma Barella.
A Almeida & Dale promove um diálogo entre Alex Cerveny e Joseca Yanomami. Vale observar também como as obras de Felippe Moraes e Gustavo Prado operam ao redor de Arid (1969), de Antonio Dias, no estande conjunto das galerias Athena e Verve.
Na Galeria Lume, há as fotos e vídeos tecnológicos de Julio Bittencourt. Combina com ela a Yehudi Hollander Pappi, com Gustavo Silvamaral e Natalia Ivanov.
No estande da Luisa Strina, esculturas de Pablo Accinelli misturam cadeados, madeira e pedra. Bolsa de Arte e Nara Roesler apostam em obras de grande escala de Bruno Novelli e André Griffo, respectivamente.
Na DAN Galeria, uma individual de Dionísio del Santo; na OMA Galeria, trabalhos inusitados de Eduardo Freitas e Luiz Pasqualini; e na Fotes D’Aloia & Gabriel, obras com fios de Rodrigo Matheus.
Serviço
ArPa – 5ª edição
Até 31 de maio de 2026
Quarta a sábado, das 13h às 20h30. Domingo, das 11h às 18h
Mercado Livre Arena Pacaembu | Rua Capivari (Portão 23), São Paulo
Ingressos: De R$ 27,00 (meia entrada social) a R$ 240,00 (passaporte para todos os dias), disponívels em arpa.art