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Quem foi Jaguar, um dos fundadores de “O Pasquim”, e como ele mudou as artes gráficas

O lendário artista, que morreu no domingo (24), elegeu seus cartunistas preferidos em reportagem para Bravo! de 2007; Relembre cada um deles aqui

Por Redação Bravo!
Atualizado em 25 ago 2025, 09h42 - Publicado em 25 ago 2025, 09h25
charge-jaguar-pasquim
Charge: Autorretrato do cartunista Jaguar "Abraço" (Jaguar/reprodução)
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Morreu no último domingo (25), no hospital Copa D’Or do Rio Janeiro, o cartunista Jaguar aos 93 anos, após uma infecção respiratória, que evoluiu para complicações renais. Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe foi um dos criadores do lendário jornal satírico O Pasquim, em 1969.

O carioca começou sua carreira no desenho aos 20 anos, na revista Manchete, em 1952. O trabalho era uma atividade paralela a que tinha no Banco do Brasil, onde ficou até a década de 1970. O pseudônimo que lhe deu fama veio nos anos 1960, após sugestão do desenhista e também colega Borjalo.

 

 

O ratinho Sig, que também foi mascote do jornal O pasquim — fundado com Luiz Carlos Maciel, Sérgio Cabral, Tarso de Castro e Ziraldo segue até hoje como um dos seus personagens mais conhecidos. A ironia e crítica era marcas registradas de seu trabalho e ele chegou até a ser preso durante a ditadura por uma de suas charges. O desenho era uma montagem do quadro “Independência ou morte” com a adição da frase “Eu quero é mocotó”. Na época, Jaguar se entregou e ficou preso por dois meses. Foi só nos anos 2000, que sua perserguição política foi reconhecida judicialmente e ele foi indenizado pela comissão da Anistia.

Além da Manchete, Jaguar colaborou com veículos extintos como Pif-Paf e jornais como A Última Hora e O Dia. O cartunista criou com mestres como Paulo Francis e Henfil, entre outros grandes nomes das artes gráficas. Jaguar ainda lançou os livros “Átila, você é Bárbaro” em 1968, e “Ipanema, se não me falha a memória”, em 2000; e se dedicou à edição de livros de humor pela editora Desidrata. Incansável, Jaguar trabalhou até o fim de sua vida e deixa um legado nas artes gráficas brasileira.

Confira abaixo quatro referências que foram essenciais para o seu trabalho:

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1. SAUL STEINBERG (1914-1999): Esse cartunista romeno é reconhecidamente o Picasso do desenho de humor. Teve uma sacada genial no cartum ao lado, do livro The Passport (1954). Foi quando os prédios moderninhos e modernosos começaram a ser construídos, e Steinberg mostrou um edifício dessa nova arquitetura em ruínas. Ainda não havia nenhum prédio assim, mas ele previu e fez o desenho. Arquitetura moderna rende ruínas pavorosas, diferente dos outros tipos de construções clássicas, que viram ruínas nobres. A esposa dele era jornalista, ele viajava com ela e registrava tudo quanto era lugar — Paris, Turquia, Belém do Pará, Rio de Janeiro… Colaborou com O Globo e fez a capa de uma revista de society, a Sombra.

2. KAMAGURKA (1956): Já tinha visto seus cartuns no jornal francês Charlie Hebdo. Conheci esse jovem cartunista belga graças a um amigo em comum. Trocamos livros — tenho todos os dele — e Kamagurka me convidou a ir para a Bélgica a fim de prepararmos uma exposição conjunta. Atualmente ele desenha para o periódico belga Humo. Tem um humor surrealista e, além de tudo, é uma figura estranhíssima. Faz também programa de televisão, rádio, música.

3. BORJALO (1925-2004): Esse cartunista mineiro foi o primeiro cara para quem eu mostrei meus desenhos — e eram uma porcaria; se fosse eu, nem daria atenção. Esse cartum que escolhi é de 1955, último ano dele na revista Manchete, onde ele assinava a última página. Depois, O Cruzeiro, onde estavam todos os cartunistas, comprou o passe dele. Para substituí-lo na última página, a Manchete fez um concurso e selecionou três desenhistas. Eu era um deles, com o Claudius e o Brandão, do Piauí. Há algum tempo, achei uma preciosidade dele na Feira de Cacarecos em Itaipava: um desenho com balloon — o Borjalo nunca escrevia nas suas piadas — de um boneco seu, com interferência da art noveau, e pornográfico. É inédito, uma coisa raríssima.

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4. SINÉ (1928): É francês e odeia a França — está aposentado e autoexilado na Córsega. Em 1968 ele fugiu para o Rio, trazendo só a roupa do corpo e um paralelepípedo dos que estava atirando na polícia do De Gaulle. Quando Siné disse que vinha, perguntei do que precisava, e estava tudo na mesa dele quando chegou na minha casa: “Obrigado pela garrafa de uísque, mas cadê o scotch?”. Scotch é como os franceses chamam a fita adesiva. Ficou três, quatro meses aqui, e fizemos um livro juntos: selecionei palavras em português que tivessem “cia” — por causa da agência de inteligência dos Estados Unidos — e ele ilustrou tudo. Fez o livro em um dia, numa poltrona na praia; bolava o desenho direto, sem lápis, como faço
também. Chama Siné & Cia (1968) e vendeu pra burro.

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