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Estudante traduz “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, para o Guarani

De origem paraguaia-guarani, Emilia foi contemplada com uma bolsa da Translation House Looren, na Suíça, e a tradução será publicada pela editora Edunila

Por Redação Bravo!
6 mar 2025, 09h00
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Carolina Maria de Jesus em frente a sua estante de livros, nos anos 1970 (Keiju Kobayashi/acervo rede Abril)
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Emilia Elizabet Espínola Duarte, estudante de Antropologia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), decidiu ampliar o acesso a uma das obras mais marcantes do século XX sobre as desigualdades urbanas. Ela irá traduzir Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, para o guarani. De origem paraguaia-guarani, Emilia foi contemplada com uma bolsa da Translation House Looren, na Suíça, e a tradução será publicada pela editora Edunila. Além do livro de Carolina Maria de Jesus, ela também irá traduzir Heidi, de Johanna Spyri.

“Fiquei empolgada com a possibilidade de ler essa obra em guarani e levar essa literatura brasileira tão importante aos povos guarani falantes da região”, disse a jovem em nota divulgada pela universidade. “Como militante da língua e da cultura guarani, considero essa uma conquista coletiva. As vozes dos falantes de guarani serão ouvidas para além de seus territórios. E algo igualmente relevante é que sou mulher e quero ocupar esse espaço como indígena guarani.”

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Carolina Maria de Jesus autografa um exemplar de QUarto de Despejo nos anos 1970 (Roger Bester/acervo rede Abril)

Emilia é formada em Tradução e Interpretação pelo Instituto Técnico Superior de Estudos Culturais e Linguísticos Yvy Maraey, no Paraguai, e já traduziu Contos da Selva, de Horacio Quiroga, para o guarani.

Sobre os livros

Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

Escrito por Carolina Maria de Jesus e publicado em 1960, é um relato autobiográfico impactante sobre a vida na favela do Canindé, em São Paulo. A partir de seus diários, Carolina narra sua rotina como catadora de papel, lutando para sustentar os filhos em meio à fome, à violência e à precariedade. Com uma escrita crua e honesta, ela expõe as desigualdades sociais e a dureza da vida marginalizada, mas também sua resistência e desejo por um futuro melhor.

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Quarto de despejo: diário de uma favelada de Carolina Maria de Jesus (Ática/reprodução)

Heidi

Clássico da literatura infantil escrito por Johanna Spyri em 1881. A história acompanha a órfã Heidi, que, aos cinco anos, é levada por sua tia para viver com o avô, um homem recluso que mora nos Alpes Suíços. Apesar de sua rigidez inicial, ele se afeiçoa à neta, cuja alegria também conquista os moradores locais, como o jovem pastor Peter e sua avó cega. Anos depois, Heidi é levada para Frankfurt para fazer companhia à rica e doente Clara Sesemann. Embora conquiste Clara com sua vivacidade, Heidi sofre com a rigidez da governanta e a saudade da montanha, adoecendo de tristeza. Seu retorno ao lar traz não apenas sua cura, mas também a redenção de seu avô. Clara, por sua vez, visita Heidi nos Alpes e, revigorada pelo ar puro e pela amizade, reencontra sua força.

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Heidi, a menina dos alpes de Johanna Spyri (Autêntica/reprodução)
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