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Os melhores livros nacionais do ano, segundo nosso júri

Revisitamos algumas das obras que marcaram o período e, para isso, convidamos quatro leitores vorazes atentos à literatura contemporânea

Por Redação Bravo!
25 dez 2025, 09h00 • Atualizado em 25 dez 2025, 13h23
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Vários livros dispostos (Freepik/divulgação)
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  • A melhor maneira de chegar a bons títulos é ouvir quem acompanha de perto a produção literária. Como de praxe no fim do ano, revisitamos algumas das obras que marcaram o período e, para isso, convidamos quatro pessoas — entre jornalistas, críticos, pesquisadores e leitores atentos à literatura contemporânea. A escolha foi livre, com apenas dois critérios: que o livro fosse brasileiro e tivesse sido publicado em 2025.

    Os jurados foram: Adriana Ferreira, Fabiane Secches, Jamil Chade e Leonardo Piana.

    Adriana Ferreira Silva

    Adriana Ferreira Silva (@driferreirasilva_) é jornalista, escritora e curadora, com enfoque em questões interseccionais de gênero e racial. É colunista do Nexo Jornal e colabora com as revistas Numéro Brasil e Quatro Cinco Um.

    Escolhas: Depois do Trovão (Cia. das Letras, 2025), de Micheliny Verunschk.

    É uma obra impressionante por dialogar com o universo de Graciliano Ramos, sobretudo na forma como percorre o sertão, e também no trabalho com a linguagem. A autora fabula a partir de uma história real, a de um bandeirante que foi um dos responsáveis pela destruição do Quilombo de Palmares.

    A autora cria um personagem fascinante que acompanha esse bandeirante e narra toda a trajetória até Palmares, detalhando a guerra. É uma história violenta e que surpreende também pela força da linguagem. Fiquei realmente impressionada, pois a obra ainda guarda uma incrível revelação.

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    Depois do Trovão (Companhia das Letras, 2025) (Companhia das Letras/divulgação)

     

     

    Fabiane Secches

    Fabiane Secches (@fabianesecches) é Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, onde atualmente é doutoranda. Seu primeiro romance, Ilhas Suspensas, é uma publicação da editora Companhia das Letras e já está em pré-venda.

    Escolhas: Na arca: Machado de Assis e os animais (Fósforo, 2025), com textos de Machado de Assis; Desterros (Todavia, 2025), de Natalia Timerman; e Horas azuis (Companhia das Letras, 2025), de Bruna Dantas Lobato.

    Esse foi um ano muito rico para a literatura nacional, então é uma escolha muito difícil. Mas eu não poderia deixar de mencionar “Na Arca: Machado de Assis e os animais”, da editora Fósforo — embora eu seja organizadora da obra ao lado de Maria Esther Maciel, os textos de Machado realmente brilham. Gosto em especial da “Carta do Gatinho Preto”, em que Machado escreve e assina como se fosse um gato.

     

    Na arca: Machado de Assis e os animais
    Na arca: Machado de Assis e os animais (Fósforo, 2025) (Fósforo/divulgação)
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    Também fiquei feliz com a reedição revisada de “Desterros: histórias de um hospital prisão”, de Natalia Timerman, publicado neste ano pela Todavia. Um relato precioso para refletir sobre o sistema carcerário no Brasil e sobre os direitos humanos, escritos com sensibilidade pela autora, que além de escritora também é psiquiatra e trabalhou por cerca de uma década no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário.

     

    desterros
    Desterros (Todavia, 2025) (Todavia/divulgação)

    Já na ficção, destaco “Horas azuis”, publicado pela Companhia das Letras, um romance muito delicado escrito por Bruna Dantas Lobato, que trata de uma relação à distância, mas muito amorosa, entre mãe e filha. Bruna é imigrante, vive e trabalha nos Estados Unidos como escritora, tradutora e professora, e esse mesmo livro também foi escrito em inglês por ela. Para a nossa sorte, a própria autora o reescreveu e publicou em português.

     

    horas azuis
    Horas azuis, de Bruna Dantas Lobato (Companhia das Letras/divulgação)

     

    Jamil Chade

    Jamil Chade (@jamilchade_oficial) percorreu mais de 70 países cobrindo crises humanitárias, diplomacia e papas. Com escritório na ONU em Genebra, foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025, finalista do prêmio Jabuti quatro vezes, embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e pesquisador da Comissão Nacional da Verdade.

    Escolha: Memórias (Cebri, 2025), organizado por Monica Hirst.

    Minha escolha de lançamento do ano vai para “Memórias”, mais de 350 páginas de entrevistas com o embaixador brasileiro Marcos Azambuja, organizado por Monica Hirst e publicada pelo Cebri.

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    Não se trata apenas de um esforço para recuperar a trajetória de um dos diplomatas mais importantes das últimas décadas no Brasil. O livro é uma biografia da própria política externa brasileira e sua constatação da força do diálogo, compromissos e negociações como forma de atingir os objetivos de desenvolvimento do país.

    Num momento em que a ordem internacional criada em 1945 é encerrada, que a incerteza e tensão predominam e que as novas regras ainda sequer foram escritas, a obra revela a aposta de uma nação por se construir no mundo a partir de ideias e da diplomacia.

    Em muitos aspectos, 2025 encerra o século 20, pelo menos no que se refere as estruturas de poder criadas após a Segunda Guerra Mundial e que organizaram a vida do planeta.

    Azambuja tinha a convicção de que o Brasil poderia influenciar a agenda internacional a partir de seu envolvimento nos grandes temas do planeta. Sua soberania não vinha de um artefato nuclear. Mas, entre outros elementos, do poder da palavra.

     

    Azambuja
    Memórias (Cebri, 2025) (Cebri/divulgação)
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    Leonardo Piana

    Leonardo Piana (@leonardopiana_), nascido em 1992 em Andradas (MG), é escritor e servidor público. Autor dos romances premiados “Sismógrafo” e “Tarde no planeta” e do livro de poemas “Escalar cansa”, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2025.

    Escolha: “Goiás”, de Marcus Groza (Editora Senac, 2025).

    Publicado aos 45 do segundo tempo de 2025, “Goiás”, de Marcus Groza, é um dos romances mais inquietantes que li recentemente. Não pela urgência de incluir na ficção o colapso ambiental que atravessamos hoje, nem por seu inusitado protagonista, o cachorro caramelo que dá nome ao livro. O que cativa é sobretudo a forma, um fluxo de consciência que transmigra entre diferentes vozes, incluindo a do cachorro, “o bicho mais feliz que já conheci”. Escrito com os melhores ecos da poesia, o romance de estreia de Marcus, vencedor do Prêmio Sesc, nos revela um escritor sem medo das palavras. Uma pequena joia literária.

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    Goiás (Editora Senac Rio, 2025), de Marcus Groza . (Editora Senac Rio/divulgação)
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