5 sambas-enredo que vão marcar o Carnaval de São Paulo
Os desfiles trazem homenagens a artistas e representam as lutas que definiram a história do Brasil, temas que continuam a ressoar na tradição carnavalesca

Para muitos, o Carnaval já começou com os blocos arrastando multidões pelas ruas do país. Mas é na avenida que acontece um dos momentos mais aguardados do calendário brasileiro. Em São Paulo, as escolas de samba intensificam os preparativos para colocar na avenida um espetáculo grandioso, finalizando carros alegóricos e ensaiando os últimos detalhes. Os desfiles do Grupo Especial acontecem entre 28 de fevereiro e 2 de março no Sambódromo do Anhembi, trazendo enredos que atravessam a história, a cultura e a espiritualidade.
A seguir, apresentamos enredos que resgatam memórias e legados representativos das lutas que marcaram a história do Brasil. Na linha da homenagem a grandes artistas, a Vai-Vai presta homenagem ao dramaturgo Zé Celso e sua forte conexão com o Bixiga, enquanto a Camisa Verde e Branco celebra a poesia e a rebeldia de Cazuza. A Mocidade Alegre, vencedora das duas últimas edições, explora o poder das mandingas e amuletos de proteção. Já a Acadêmicos do Tatuapé convida à reflexão sobre a busca pela justiça ao longo dos tempos. Por fim, a Acadêmicos do Tucuruvi revisita o manto Tupinambá, símbolo da ancestralidade indígena, amplificando um chamado de resistência e reconexão.
Vai-Vai: “O xamã devorado y a deglutição bacante de quem ousou sonhar desordem”
Maior campeã do carnaval paulista, com 15 títulos, a Vai-Vai prestará homenagem a uma das figuras mais emblemáticas do teatro brasileiro: José Celso Martinez Corrêa, o eterno Zé Celso, falecido em um trágico acidente em 2023. O enredo também celebrará a profunda ligação do dramaturgo com o bairro do Bixiga, onde fundou o Teatro Oficina, que permanece ativo até hoje. O desfile é comandado pelo carnavalesco Sidney França.
Mocidade Alegre: “Quem não pode com mandinga não carrega patuá”
Segunda maior campeã do Carnaval de São Paulo, a Mocidade Alegre busca manter a hegemonia após dois títulos consecutivos. Neste ano, o enredo explora o sincretismo religioso por meio de objetos sagrados da cultura brasileira, como terços, balangandãs e guias, com destaque para a “bolsa de mandinga”. Introduzida por africanos islamizados no período colonial, essa pequena bolsa com orações do Alcorão era um amuleto de proteção para os escravizados, mas foi alvo de perseguições pela Inquisição portuguesa, que a classificava como “feitiçaria”. O desfile é assinado por Caio Araújo.
Acadêmicos do Tatuapé: “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”
A frase que dá título ao enredo da escola da Zona Leste foi proferia por Martin Luther King Jr. O enredo de 2025 da Acadêmicos do Tatuapé propõe uma reflexão sobre a justiça ao longo da história e sua busca constante pela equidade. Da espiritualidade à Revolução Francesa, das leis brasileiras à luta por direitos humanos, a narrativa percorre diferentes tempos e culturas para mostrar como a justiça pode ser símbolo de transformação ou de desigualdade. Desfile é assinado por Wagner Santos.
Camisa Verde e Branco: “O tempo não para! Cazuza – o poeta vive!”
Como o próprio título indica, a escola irá celebrar a vida e obra do poeta e cantor Cazuza, morto em 1990 em decorrência de complicações da Aids. Cantor, compositor e letrista visceral, marcou gerações com sua entrega intensa e letras que falavam de amor, rebeldia e liberdade. À frente do Barão Vermelho e em carreira solo, eternizou sucessos como “Exagerado”, “O Tempo Não Para”, “Codinome Beija-Flor”, “Ideologia”, “Brasil”, “Faz Parte do Meu Show” e “O Nosso Amor a Gente Inventa”. O desfile é assinado por Cahê Rodrigues.
Acadêmicos do Tucuruvi: “Assojaba – A Busca Pelo Manto”
Neste ano, a escola contará a história do sagrado manto Tupinambá, símbolo de força e ancestralidade dos povos indígenas do Brasil. Perdido para a Europa durante a colonização, o manto resiste como memória viva e clama por seu retorno. A escola embarca nessa jornada de reconexão, reverência e luta, amplificando a voz de Glicéria Tupinambá e de todos que defendem a valorização da cultura indígena. No desfile, a tradição e o sagrado se unem em um grande sonho de retomada e pertencimento. O enredo é de autoria de Dione Leite e Nicolas Gonçalves.