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Alceu Valença lembra a primeira memória musical — e um trauma de infância

Na coluna Atemporal, uma coleção de recordações e curiosidades do cantor e compositor pernambucano, que completa 80 anos em 1º de julho

Por Tomas Novaes 13 abr 2026, 18h49 • Atualizado em 13 abr 2026, 19h06
Alceu Valença: o artista pernambucano completa 80 anos em julho
Alceu Valença: o artista pernambucano completa 80 anos em julho (Leo Aversa/divulgação)
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  • A Bravo! estreia a coluna Atemporal com a comemoração dos oitenta anos de Alceu Valença, a serem completados em 1o de julho, mas festejados desde março com a turnê 80 Girassóis.

    O show ainda passa por Florianópolis (18/4), Curitiba (25/4), Brasília (9/5), Recife (15/5), Fortaleza (23/5), Belém (30/5), Belo Horizonte (20/6) e Rio de Janeiro (3/7).

    A nova seção fixa da revista reúne memórias, frases, raridades e curiosidades de personalidades. Um baú afetivo a ser descoberto e revisitado. Entre no universo do artista pernambucano a seguir.

    Atemporal: Alceu Valença

    POETA DAS FLORES

    A música Girassol, do disco Leque Moleque (1987), foi inspirada em campos amarelos e moças portando a flor pela Holanda. Alceu credita a sua paixão pelas plantas ao seu vizinho em Recife, o poeta Carlos Pena Filho (1929-1960), autor do poema A mesma rosa amarela.

    Girassóis na turnê: show de 80 anos
    Girassóis na turnê: show de 80 anos (Patrick Gomes/divulgação)

    NOS STATES

    Então estudante de Direito na Universidade Federal de Pernambuco, Alceu Valença fez um curso em Harvard, nos Estados Unidos, no fim dos anos 60. Um jornalista americano se interessou pelo seu som. “Ele me viu tocando e perguntou se era samba. Expliquei que era uma música do Nordeste do Brasil. Ele não conhecia, então lhe disse: ‘É sequinho como o Texas’”.

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    O cantor e compositor em 1976: antes da música, formado em Direito
    O cantor e compositor em 1976: antes da música, formado em Direito (Aldyr Tavares/acervo rede Abril)

    PRIMEIRA MEMÓRIA MUSICAL

    Minha primeira memória musical foi na casa de Adalberto Oliveira de Paiva, meu avô. Ele tinha uma radiola, a única de São Bento do Una. Ele gostava de música clássica. Tocava bandolim, mas não era profissional. Com dois ou três anos, lembro dele dizer: ‘Vem cá, olha aqui o macaquinho’, e ligar o som da radiola.”

    Alceu em 1975: paixão pelo palco
    Alceu em 1975: paixão pelo palco (Chico Nelson/Bravo)

    TRAUMA

    “Aconteciam saraus na fazenda. Criança, cheguei perto, cada um tocando um instrumento. E deixaram um pandeiro de canto. Peguei e bati, só para ouvir o som. Claro que fora do tempo da música. O vovô: “Menina, pegue o filho de Décio, que ele não tem compasso não!”

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    Turnê de aniversário: figurino da estilista Isabela Capeto
    Turnê de aniversário: figurino da estilista Isabela Capeto (Leo Aversa/divulgação)

    CINEMA

    “Dirigir o filme Luneta do Tempo (2014) foi a maior viagem da minha vida, passei três meses convivendo nas locações com pessoas inacreditáveis. Quando meu pai morreu, entrei em um surto criativo e comecei a escrever. Só depois entendi que seria um longa. Estudei cinema sozinho, autodidata. Papai me contava histórias sobre Pernambuco, o cangaço, Lampião. Elas serviram de inspiração, e virou uma homenagem a ele.”

    Cartaz do filme 'A Luneta do Tempo' (2014): estreia de Alceu como diretor
    Cartaz do filme ‘A Luneta do Tempo’ (2014): estreia de Alceu como diretor (Reprodução/reprodução)

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