Alceu Valença lembra a primeira memória musical — e um trauma de infância
Na coluna Atemporal, uma coleção de recordações e curiosidades do cantor e compositor pernambucano, que completa 80 anos em 1º de julho
A Bravo! estreia a coluna Atemporal com a comemoração dos oitenta anos de Alceu Valença, a serem completados em 1o de julho, mas festejados desde março com a turnê 80 Girassóis.
O show ainda passa por Florianópolis (18/4), Curitiba (25/4), Brasília (9/5), Recife (15/5), Fortaleza (23/5), Belém (30/5), Belo Horizonte (20/6) e Rio de Janeiro (3/7).
A nova seção fixa da revista reúne memórias, frases, raridades e curiosidades de personalidades. Um baú afetivo a ser descoberto e revisitado. Entre no universo do artista pernambucano a seguir.
Atemporal: Alceu Valença
POETA DAS FLORES
A música Girassol, do disco Leque Moleque (1987), foi inspirada em campos amarelos e moças portando a flor pela Holanda. Alceu credita a sua paixão pelas plantas ao seu vizinho em Recife, o poeta Carlos Pena Filho (1929-1960), autor do poema A mesma rosa amarela.
NOS STATES
Então estudante de Direito na Universidade Federal de Pernambuco, Alceu Valença fez um curso em Harvard, nos Estados Unidos, no fim dos anos 60. Um jornalista americano se interessou pelo seu som. “Ele me viu tocando e perguntou se era samba. Expliquei que era uma música do Nordeste do Brasil. Ele não conhecia, então lhe disse: ‘É sequinho como o Texas’”.
PRIMEIRA MEMÓRIA MUSICAL
“Minha primeira memória musical foi na casa de Adalberto Oliveira de Paiva, meu avô. Ele tinha uma radiola, a única de São Bento do Una. Ele gostava de música clássica. Tocava bandolim, mas não era profissional. Com dois ou três anos, lembro dele dizer: ‘Vem cá, olha aqui o macaquinho’, e ligar o som da radiola.”
TRAUMA
“Aconteciam saraus na fazenda. Criança, cheguei perto, cada um tocando um instrumento. E deixaram um pandeiro de canto. Peguei e bati, só para ouvir o som. Claro que fora do tempo da música. O vovô: “Menina, pegue o filho de Décio, que ele não tem compasso não!”
CINEMA
“Dirigir o filme Luneta do Tempo (2014) foi a maior viagem da minha vida, passei três meses convivendo nas locações com pessoas inacreditáveis. Quando meu pai morreu, entrei em um surto criativo e comecei a escrever. Só depois entendi que seria um longa. Estudei cinema sozinho, autodidata. Papai me contava histórias sobre Pernambuco, o cangaço, Lampião. Elas serviram de inspiração, e virou uma homenagem a ele.”