Caetano Veloso faz 84 anos: relembre momentos marcantes da carreira
A potência da Tropicália, o sucesso dos Doces Bárbaros e álbuns icônicos como 'Transa' fazem parte da trajetória de um dos maiores gênios da MPB
O cantor e compositor Caetano Veloso completa 84 anos nesta sexta-feira (7). O baiano está na ativa há seis décadas e a sua obra se firma como uma das mais valiosas e intelectualmente instigantes da música brasileira.
Caetano Emanuel Viana Teles Veloso nasceu em Santo Amaro, na Bahia, em 7 de agosto de 1942, e lançou dezenas de álbuns – de estúdio e ao vivo – ao longo de seu extenso período de dedicação à arte.
Período que, diga-se de passagem, permanece ativo, seja por meio de novas composições, colaborações com artistas das novas gerações ou por meio das gigantescas turnês que continuam arrastando multidões pelo país, a exemplo da recente série de shows ao lado de sua irmã, Maria Bethânia (que completou 80 anos em junho).
Sempre inovador, Caetano não apenas traduziu o Brasil em suas letras em diversos momentos, mas ajudou a moldar a própria identidade cultural do país, mesclando ritmos regionais com poesia.
Confira alguns dos momentos e projetos mais emblemáticos da trajetória do artista:
Tropicalismo
O marco inicial de sua revolução musical ganhou força no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. Ao subir ao palco para cantar Alegria, Alegria, Caetano quebrou paradigmas. No ano seguinte, liderou o lançamento do álbum-manifesto Tropicália ou Panis et Circencis, em parceria com Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé e Nara Leão, mudando os rumos da nossa música com um resultado que traz diversidade de estilos.
O exílio e “Transa”
A forte repressão da ditadura militar levou à sua prisão no final de 1968 e, no ano seguinte, ao exílio em Londres. Desse período turbulento de distanciamento e necessidade de reinvenção, nasceu uma obra-prima. O álbum Transa foi concebido na Inglaterra, mas lançado no Brasil, no ano de 1972, quando o cantor retornou ao país. O disco mistura violão, rock e percussão brasileira em faixas brilhantes que alternam o inglês e o português, como You Don’t Know Me e Nine Out of Ten.
Doces Bárbaros
Em 1976, Caetano uniu forças aos amigos Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia para celebrar dez anos de suas carreiras solo. O encontro histórico formou o supergrupo Doces Bárbaros. A turnê gerou um álbum gravado ao vivo e um documentário dirigido por Jom Tob Azulay. A energia pulsante dos quatro baianos no palco, entoando canções como Os Mais Doces Bárbaros e Esotérico, cravou a reunião no panteão da cultura pop brasileira.
“Estrangeiro”
Ao longo dos anos 1980, Caetano consolidou uma impressionante sequência de sucessos e continuou se reinventando. Em 1989, o cantor lançou o disco Estrangeiro, gravado em Nova York. O álbum apresenta uma sonoridade moderna. Faixas como a música-título provam que o artista baiano mantinha um diálogo com a vanguarda musical do exterior.
A paixão pela Sétima Arte
A genialidade de Caetano também extrapolou os palcos e estúdios para ganhar as telas de cinema. O artista assinou trilhas de filmes como Orfeu (1999) e Tieta do Agreste (1996), além de A Voz Amada, música-tema do filme O Quatrilho (1995). No cenário internacional, um de seus momentos mais emblemáticos aconteceu em 2002: a convite do aclamado cineasta espanhol Pedro Almodóvar, Caetano fez uma participação no premiado Fale com Ela, entregando uma performance de tirar o fôlego do clássico Cucurrucucú Paloma. No mesmo ano, sua voz integrou a trilha sonora do longa Frida, o que o levou a se apresentar no palco do Oscar. Mais recentemente, em 2024, Caetano assinou uma composição para o filme Queer, do cineasta Luca Guadagnino.
A vida e a obra em documentários
A complexidade de Caetano também ganhou registros no formato documental. Em Coração Vagabundo (2008), o cineasta Fernando Grostein Andrade acompanhou o artista durante a turnê A Foreign Sound por São Paulo, Nova York e Japão, revelando uma face íntima, reflexiva e sem filtros do baiano. Já em 2020, Narciso em Férias, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, trouxe um relato detalhado do próprio sobre os 54 dias em que esteve preso pela ditadura em 1968. A obra foi exibida no Festival de Veneza. E há um novo documentário no horizonte, novamente sob o comando de Terra e Calil: agora, focado na criação do cultuado álbum Transa (1972).
Aos 84 anos, a voz que vai de Nine Out of Ten a Um Abraçaço segue provando que sua força e sua presença são atemporais.