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Martinho da Vila revela como nasceram ‘Canta Canta, Minha Gente’ e ‘Disritmia’

Aos 88 anos, sambista relembra infância em Duas Barras, carreira militar, paixão por xadrez e os mestres que inspiraram sua obra

Por Tomas Novaes 30 Maio 2026, 10h00
Homem negro idoso, com barba e bigode grisalhos, sorrindo amplamente e com os olhos semicerrados de alegria, em um fundo escuro
Martinho da Vila, 88: na estrada com a sua última grande turnê (Renato Pagliaci/divulgação)
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Martinho da Vila revela como nasceram ‘Canta Canta, Minha Gente’ e ‘Disritmia’ Priorizar nos meus resultados Google

Martinho da Vila, 88, gosta de jogar xadrez, compor sambas inesquecíveis, assistir aos shows da filha Mart’nália e beber cerveja. E, claro, de cantar, ofício que exerce há mais de cinco décadas e que o mantém rodando o Brasil com vigor neste ano, em sua última grande turnê.

O cantor e compositor fluminense estreia o novíssimo show Pai e Filha, em que divide o palco com a parceira de sangue e samba, neste sábado (30), no Rio de Janeiro. As cidades de Campina Grande (3/7), Brasília (18/7), São Paulo (25/7), Belo Horizonte (4/9), Fortaleza (10/10), Recife (17/10) e Salvador (23 e 24/10) serão as próximas.

Desde o primeiro disco, homônimo, de 1969, o artista é patrimônio da música brasileira. Do hit inaugural, Casa de Bamba, a outros sucessos como Canta Canta, Minha Gente, Mulheres e Disritmia, Martinho tem uma das vozes e canetas mais importantes da história do samba. 

A despedida dos grandes palcos não será uma aposentadoria. Ele prepara um disco de inéditas, que terá parcerias com nomes como Gilberto Gil. Nesta edição da coluna Atemporal da Bravo!, descubra curiosidades e memórias afetivas do bamba. 

MEMÓRIAS DE DUAS BARRAS

Martinho da Vila nasceu em Duas Barras, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e foi para a capital com apenas quatro anos. “A principal memória que tenho de lá é de brincar no terreiro. As crianças comiam terra naquele tempo. Agora ninguém come mais porque está tudo asfaltado e cimentado (risos).”

Close-up em preto e branco de um homem negro sorrindo, com bigode e barba rala, olhando para a direita. Uma criança aparece desfocada no fundo, à direita
O sambista fluminense: carreira musical iniciada no fim dos anos 60 (Acervo pessoal/reprodução)
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LEMBRANÇAS MILITARES

Martinho da Vila traçou carreira militar entre 1956 e 1969, antes de cair no samba. “Quando servia no Ministério do Exército, ali ao lado da Central do Brasil, eu era datilógrafo. Me davam ofícios para datilografar e eu batia sem ver. Às vezes o chefe dizia: “Martinho, bota o papel aí”. Eu batia logo e retirava, sem nem saber o que eu datilografei (risos).”

AS COMIDAS FAVORITAS

Eu gosto de sopa. Minha mãe fazia umas sopinhas gostosas e me dava quando era bem novinho. A feijoada da Dona Limara, minha filha, é imbatível. E arroz com ovo é bom. Se tiver uma couve do lado, então…

Mulher idosa com cabelo escuro e grisalho, vestindo blusa estampada, sorri timidamente enquanto um homem jovem de bigode, camisa polo branca, sorri olhando para ela. Ambos estão em um ambiente externo com estrutura de madeira e parede de tijolos ao fundo
Martinho e sua mãe, Tereza: memórias da infância (Acervo pessoal/reprodução)

E AS BEBIDAS…

Cerveja e chopp.

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ÍDOLOS DO BAMBA

Quando se fala em samba-enredo, Martinho tem duas referências: os compositores Silas de Oliveira (1916-1972), do Império Serrano, e Walter Rosa (1925-2002), da Portela.

COMO NASCEU CANTA CANTA, MINHA GENTE?

A música Canta Canta, Minha Gente nasceu de um pedido em um programa de rádio. “Martinho, queria uma música para o pessoal cantar”, disseram. Então fiz: “Canta, canta, minha gente, deixa a tristeza para lá, canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar.”

Martinho da Vila sorrindo, olhos fechados, barba e cabelo crespos, camisa azul clara, com mãos levantadas ao fundo e montanhas estilizadas. Título
A capa do disco ‘Martinho da Vila’ (1974): álbum com as músicas ‘Disritmia’ e ‘Canta Canta, Minha Gente’ (Martinho da Vila/divulgação)

E DISRITMIA?

Disritmia é uma doença, a pessoa é “disritmada”. Tem gente assim. E “disritmado” também é um cara que está bêbado. Conversando sobre isso com uma amiga psicóloga, resolvi fazer uma música. Não foi inspirada em ninguém, veio do ar.

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UM HOBBY DIFERENTE

No início da entrevista, enquanto esperávamos mais uma pessoa chegar, Martinho aproveitou e praticou o seu passatempo favorito. Eu gosto de jogar xadrez, mas é difícil achar parceiro. Então jogo no computador. Tinha uma amiga que gostava de jogar, ela disse que eu precisava aprender e me ensinou.”

Quatro pessoas negras em uma mesa ao ar livre. Um homem sorridente no centro ergue um copo de cerveja. À esquerda, uma mulher de óculos escuros na cabeça e camiseta com a palavra
Martinho em família: à esquerda, a filha Mart’nália (Acervo pessoal/reprodução)

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