Maurício Pereira revela como nasceu ‘Trovoa’: “Escrevi na insônia”
O cantor e compositor paulistano, que acaba de lançar o disco 'O Dia da Girafa', detalha o seu processo criativo
Se você gosta de letras, escutar Maurício Pereira é fundamental. O cantor e compositor paulistano, que formou a dupla Os Mulheres Negras com André Abujamra, acaba de lançar o seu sexto disco solo, O Dia da Girafa (2026).
O nome anuncia as canções igualmente intrigantes que compõem o trabalho, com destaque para Alfabetiza. À BRAVO!, ele abriu o baú do seu processo criativo. “Às vezes, uso o dicionário. Você lê 200 palavras e nenhuma serve. Nesses momentos penso na seleção brasileira de 1970, que tinha Brito e Piazza, não só Pelé e Tostão. Às vezes você precisa de uma palavra perna de pau”, brinca.
Como nasce uma canção
Como quem planta versos, Maurício tem momentos de colheita — as composições do trabalho nasceram na pandemia. “No meu ritmo de compositor, fico quatro, cinco, seis anos sem escrever”.
Para ele, as músicas nascem com uma dose de acaso. “Sou desorganizado. O primeiro flash pode vir em qualquer lugar. Não tenho saco de abrir o celular e gravar, então preciso decorar e depois anotar. Às vezes perco, mas eu conto com isso. Não preciso compor tanto, sou da tese de que as pessoas já estão dizendo as coisas.”
A canção ganha vida nos seus cadernos. E com muito labor. “O meu trabalho de editor é muito forte. Penso no impacto da frase na pessoa. Quero causar com o texto”, explica.
A sua música mais conhecida, Trovoa, nasceu de caminhadas paulistanas. “Escrevi na insônia, acordava de madrugada e ia andar pelo bairro. Eram muitas páginas, a versão final tem um terço do tamanho. Fiz caminhando, memorizando, depois escrevia”, detalha.
Para ele, foi uma surpresa o alcance da canção, regravada por Maria Gadú e Metá Metá. “Pensei que ninguém ia ouvir uma música de seis minutos, sem refrão, romântica. É um épico pop”, define.
Publicado em BRAVO! de agosto de 2026, edição nº 193