Avatar do usuário logado
Usuário

Paula Lima revela os cinco discos que marcaram sua vida e carreira

Em entrevista à coluna Atemporal, da Bravo!, a artista revisita memórias afetivas e influências fundamentais de sua trajetória musical

Por Tomas Novaes 20 Maio 2026, 18h53 | Atualizado em 21 Maio 2026, 10h27
Mulher negra de cabelos crespos volumosos, vestindo um vestido roxo estampado e mangas pretas transparentes, posa com as mãos levantadas e unhas vermelhas, em fundo marrom
Papo com Paula Lima: confira os 5 discos da vida da cantora (Juliana Helcer/divulgação)
Continua após publicidade

O canto veio de berço para Paula Lima, 55. A artista paulistana resgata memórias preciosas e lista seus discos da vida nesta edição da coluna Atemporal, da Bravo!.

A cantora está preparando um novo álbum. No dia 28 deste mês, ela lança uma música inédita de Di Melo, D’ouro Brilhante, que estará no repertório do projeto produzido por Fejuca e Marcus Preto.

O disco terá três músicas compostas por Paula em parceria com outros artistas. O trabalho ainda reunirá colaborações com Luedji Luna, Tassia Reis, Rachel Reis, Mallu Magalhães, Ivyson, Jenni Mosello e Elana Dara.

Antes de seguir carreira na música, a artista se formou em Direito no Mackenzie. Transitando entre samba, soul e funk, participou de bandas como Unidade Móvel e Funk Como Le Gusta. A carreira solo veio em 2001, com o álbum É Isso Aí.

Além da agenda de shows e gravações, a artista ocupou o cargo de presidente da União Brasileira dos Compositores (UBC) entre 2023 e março deste ano. Confira a seguir a conversa sobre lembranças, curiosidades e processo criativo.

OS PRIMEIROS SONS

“Tenho duas lembranças da televisão, com 6 anos: ver Alcione e também Wilson Simonal, ele cantando com Sarah Vaughan. Fora isso, o meu pai tinha uma vitrola de madeira grande em que escutava jazz e música cubana.”

Dois cantores negros, um homem e uma mulher, sorriem enquanto seguram microfones em um palco escuro, com um homem de terno ao fundo
Wilson Simonal (1938-2000) e Sarah Vaughan (1924-1990): dueto na TV Tupi em 1970 (TV Tupi/reprodução)
Continua após a publicidade

ESCOLHA DE REPERTÓRIO

“Sou libriana e perfeccionista. É complicado o meu processo, fico muitas vezes no campo das ideias, sempre perseguindo o indefectível. É algo que tenho trabalhado, porque buscando o perfeito você deixa de fazer o bom. Sou muito ligada em harmonia, melodia, ritmo e, hoje mais do que nunca, em letra. Me preocupo muito com a mensagem que sai da minha boca.”

CORAÇÃO, DESEJO E SINA

Na infância da cantora, os churrascos de família aos sábados acompanhavam trilhas sonoras marcantes. Isso porque o seu tio comprava os discos recém-lançados da semana para apresentar à família. Novidades de Djavan, Whitney Houston, Fundo de Quintal, Earth, Wind and Fire e Kool & the Gang rodavam na vitrola. “No caso do Djavan, a disputa era para ver quem ia decorar primeiro a letra”, conta.

Menina negra sorridente, com cabelo preso em dois coques com laços brancos, sentada em uma escada, vestindo blusa branca e jardineira de crochê marrom com detalhes brancos, meias brancas rendadas e sapatos brancos
A cantora na infância: nascida e criada em São Paulo, entre Vila Mariana e Ipiranga (Acervo pessoal/reprodução)

SAUDOSO HORIZONTE

“Minha família vive no Ipiranga, onde moro desde os 7 anos. Antes de subirem todos esses prédios, eu conseguia enxergar a janela de duas primas. A gente dava tchau até, mesmo de longe.” 

DESDE O BERÇO

“Começo cantando. Minha mãe diz que eu acordava cantando no berço aos 3 anos de idade. Aos 5 ou 6 anos a minha madrinha, a tia Lena, levava um gravador portátil com fita cassete e gravava tudo. Na escola, eu dizia que gostava de cantar. Me apresentei na formatura. O canto sempre foi a minha arte.”

Continua após a publicidade
Menina negra sentada em cadeira de vime, sorrindo e segurando um telefone fixo branco no ouvido. Ela veste um vestido xadrez e está em frente a uma estante com livros e objetos decorativos. A foto é em preto e branco
Entorno musical: referências na família e na escola (Acervo pessoal/reprodução)

PARAÍSO DAS FÉRIAS

“A irmã da minha avó tinha uma casa em Mongaguá. Passamos várias viradas de ano e Natais lá. Tem o trilho do trem, era só atravessar e estávamos na praia. A casa era pequena, mas ficavam quarenta pessoas juntas. O quintal era gigante. Na minha memória, são alguns dos momentos mais felizes da vida. Era bom demais.” 

O PRIMEIRO INSTRUMENTO

Depois da voz, o piano clássico. Paula estudou o instrumento dos 7 aos 17 anos. “Tive uma professora, a tia Terezinha, que tocava acordeon muitíssimo bem. Eu não queria brincar com as crianças, ficava andando atrás dela. Um dia chamou minha mãe e disse: ‘Olha, eu acho que a Paulinha tem um dom. Vamos perguntar qual instrumento ela quer aprender’. Escolhi o piano”, relembra.

Menina negra sorridente, com cabelo preso em duas marias-chiquinhas com laços brancos, toca piano de madeira. Ela veste blusa branca de gola alta e vestido verde. Ao lado, um cachorro branco peludo com manchas marrons, sorri com a língua para fora, sobre um tapete bege. Ao fundo, uma TV antiga e um abajur.
Paula ao piano: dez anos de estudos (Acervo pessoal/reprodução)

O INÍCIO

“A minha primeira oportunidade como cantora veio de Eugênio Lima. Eu só cantava em casa, na escola ou na faculdade. Conheci o pessoal da banda Unidade Móvel, que organizavam festas na casa do Eugênio. Um dia ele descobriu que eu gostava de cantar e convidou: ‘Quero você tal dia em tal lugar’. Eu não sabia, mas era um estúdio. Ali começou a minha carreira.”

Continua após a publicidade

OS TEMPOS DE ADVOCACIA

“Gostava das aulas de direito civil. No terceiro ano da faculdade, comecei a cantar e a história deu uma degringolada. Mas sempre fui muito responsável. Sendo uma mulher negra de classe média baixa, em uma família em que já tinham pessoas com ensino superior, eu precisava ter segurança e estabilidade. Por isso decidi me formar.”

Mulher negra sorrindo, vestindo beca preta, capelo com borla vermelha e faixa vermelha no pescoço, em fundo claro
Paula Lima se formando em Direito no Mackenzie: antes da carreira musical (Acervo pessoal/reprodução)

UM SONHO DE CRIANÇA

“Quando era pequena, queria ser promotora de justiça. Adorava os personagens dos filmes de tribunal. Com 6 anos, disse para a minha mãe: ‘Quero que as pessoas saibam qual é o meu trabalho e que elas de alguma maneira reconheçam isso e me aplaudam’.”

OS CINCO DISCOS DA VIDA

That’s the Way of the World (1975), do Earth, Wind & Fire 

Capa do álbum
A capa do disco ‘That’s the Way of the World’ (1975): sexto álbum da banda americana Earth, Wind & Fire (Divulgação/divulgação)
Continua após a publicidade

É Isso Aí (2001), de Paula Lima 

Rosto da cantora Paula Lima, com olhos fechados e expressão serena, iluminado por luz quente na lateral esquerda. O cabelo escuro se mistura ao fundo preto. No canto superior direito, o texto
A capa do disco de estreia da cantora: álbum com músicas como ‘Tive Razão’, de Seu Jorge (Divulgação/divulgação)

Roda de Funk (1999), do Funk Como Le Gusta 

Capa de álbum
O disco ‘Roda de Funk’ (1999), do Funk Como Le Gusta (Divulgação/divulgação)

Luz (1982), de Djavan

Continua após a publicidade
Rosto de Djavan jovem, pele escura, com dreadlocks longos e escuros, olhando para cima e para a direita, boca fechada. Usa um colar branco simples. O nome
Clássico de Djavan, o disco ‘Luz’ (1982): álbum com músicas como ‘Sina’ e ‘Samurai’ (Divulgação/divulgação)

Off the Wall (1979), de Michael Jackson

Michael Jackson sorrindo, com cabelo afro, vestindo um smoking preto e camisa branca com gravata borboleta, encostado em uma parede de tijolos. O título
O disco ‘Off the Wall’ (1979), de Michael Jackson (1958-2009): álbum icônico (Divulgação/divulgação)
Publicidade