Paula Lima revela os cinco discos que marcaram sua vida e carreira
Em entrevista à coluna Atemporal, da Bravo!, a artista revisita memórias afetivas e influências fundamentais de sua trajetória musical
O canto veio de berço para Paula Lima, 55. A artista paulistana resgata memórias preciosas e lista seus discos da vida nesta edição da coluna Atemporal, da Bravo!.
A cantora está preparando um novo álbum. No dia 28 deste mês, ela lança uma música inédita de Di Melo, D’ouro Brilhante, que estará no repertório do projeto produzido por Fejuca e Marcus Preto.
O disco terá três músicas compostas por Paula em parceria com outros artistas. O trabalho ainda reunirá colaborações com Luedji Luna, Tassia Reis, Rachel Reis, Mallu Magalhães, Ivyson, Jenni Mosello e Elana Dara.
Antes de seguir carreira na música, a artista se formou em Direito no Mackenzie. Transitando entre samba, soul e funk, participou de bandas como Unidade Móvel e Funk Como Le Gusta. A carreira solo veio em 2001, com o álbum É Isso Aí.
Além da agenda de shows e gravações, a artista ocupou o cargo de presidente da União Brasileira dos Compositores (UBC) entre 2023 e março deste ano. Confira a seguir a conversa sobre lembranças, curiosidades e processo criativo.
OS PRIMEIROS SONS
“Tenho duas lembranças da televisão, com 6 anos: ver Alcione e também Wilson Simonal, ele cantando com Sarah Vaughan. Fora isso, o meu pai tinha uma vitrola de madeira grande em que escutava jazz e música cubana.”
ESCOLHA DE REPERTÓRIO
“Sou libriana e perfeccionista. É complicado o meu processo, fico muitas vezes no campo das ideias, sempre perseguindo o indefectível. É algo que tenho trabalhado, porque buscando o perfeito você deixa de fazer o bom. Sou muito ligada em harmonia, melodia, ritmo e, hoje mais do que nunca, em letra. Me preocupo muito com a mensagem que sai da minha boca.”
CORAÇÃO, DESEJO E SINA
Na infância da cantora, os churrascos de família aos sábados acompanhavam trilhas sonoras marcantes. Isso porque o seu tio comprava os discos recém-lançados da semana para apresentar à família. Novidades de Djavan, Whitney Houston, Fundo de Quintal, Earth, Wind and Fire e Kool & the Gang rodavam na vitrola. “No caso do Djavan, a disputa era para ver quem ia decorar primeiro a letra”, conta.
SAUDOSO HORIZONTE
“Minha família vive no Ipiranga, onde moro desde os 7 anos. Antes de subirem todos esses prédios, eu conseguia enxergar a janela de duas primas. A gente dava tchau até, mesmo de longe.”
DESDE O BERÇO
“Começo cantando. Minha mãe diz que eu acordava cantando no berço aos 3 anos de idade. Aos 5 ou 6 anos a minha madrinha, a tia Lena, levava um gravador portátil com fita cassete e gravava tudo. Na escola, eu dizia que gostava de cantar. Me apresentei na formatura. O canto sempre foi a minha arte.”
PARAÍSO DAS FÉRIAS
“A irmã da minha avó tinha uma casa em Mongaguá. Passamos várias viradas de ano e Natais lá. Tem o trilho do trem, era só atravessar e estávamos na praia. A casa era pequena, mas ficavam quarenta pessoas juntas. O quintal era gigante. Na minha memória, são alguns dos momentos mais felizes da vida. Era bom demais.”
O PRIMEIRO INSTRUMENTO
Depois da voz, o piano clássico. Paula estudou o instrumento dos 7 aos 17 anos. “Tive uma professora, a tia Terezinha, que tocava acordeon muitíssimo bem. Eu não queria brincar com as crianças, ficava andando atrás dela. Um dia chamou minha mãe e disse: ‘Olha, eu acho que a Paulinha tem um dom. Vamos perguntar qual instrumento ela quer aprender’. Escolhi o piano”, relembra.
O INÍCIO
“A minha primeira oportunidade como cantora veio de Eugênio Lima. Eu só cantava em casa, na escola ou na faculdade. Conheci o pessoal da banda Unidade Móvel, que organizavam festas na casa do Eugênio. Um dia ele descobriu que eu gostava de cantar e convidou: ‘Quero você tal dia em tal lugar’. Eu não sabia, mas era um estúdio. Ali começou a minha carreira.”
OS TEMPOS DE ADVOCACIA
“Gostava das aulas de direito civil. No terceiro ano da faculdade, comecei a cantar e a história deu uma degringolada. Mas sempre fui muito responsável. Sendo uma mulher negra de classe média baixa, em uma família em que já tinham pessoas com ensino superior, eu precisava ter segurança e estabilidade. Por isso decidi me formar.”
UM SONHO DE CRIANÇA
“Quando era pequena, queria ser promotora de justiça. Adorava os personagens dos filmes de tribunal. Com 6 anos, disse para a minha mãe: ‘Quero que as pessoas saibam qual é o meu trabalho e que elas de alguma maneira reconheçam isso e me aplaudam’.”
OS CINCO DISCOS DA VIDA
That’s the Way of the World (1975), do Earth, Wind & Fire
É Isso Aí (2001), de Paula Lima
Roda de Funk (1999), do Funk Como Le Gusta
Luz (1982), de Djavan
Off the Wall (1979), de Michael Jackson