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6 obras de arte que inspiram a Lux Tour de Rosalía

Show que chega ao Brasil reúne referências a Goya, Leonardo da Vinci, Degas e ao mito de Ícaro; confira todas as inspirações

Por Arthur Aguiar 4 ago 2026, 15h10 | Atualizado em 4 ago 2026, 15h13
Close-up de uma mulher jovem deitada, com maquiagem leve e uma pena branca na sobrancelha esquerda, olhando para cima com expressão serena. Ela tem cabelos escuros e lábios rosados, e está sobre um tecido branco, possivelmente um travesseiro
Rosalía chega ao Brasil com a 'Lux Tour': espetáculo repleto de referências artísticas (Divulgação/divulgação)
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Rosalía une o pop ao erudito em sua nova fase musical, com o disco Lux (2025) e a Lux Tour, turnê que desembarca no Brasil para dois shows no Rio de Janeiro, nos dias 10 e 11 de agosto, na Farmasi Arena.

Celebrando o repertório do novo álbum, além dos seus outros hits, a artista trará referências artísticas nos visuais do espetáculo. A Bravo! fez um apanhado de todas as obras de arte, filmes e referências visuais que poderão ser vistas no palco. Confira.

Rosalía, com os olhos fechados e lábios dourados, veste um hábito branco e um véu, em um fundo azul claro. As letras L, U e X aparecem em preto, e o selo Parental Advisory está no canto inferior
A capa do disco ‘Lux’ (2025): música pop e sons orquestrais (Rosalía/divulgação)

El Aquelarre, de Francisco de Goya 

O pontapé inicial de Rosalía nesta nova era Lux foi o single Berghain, lançado em outubro com a artista islandesa Björk e o músico americano Yves Tumor. Na faixa, os ritmos se misturam em sinergia com batidas pop e instrumentais da Orquestra Sinfônica de Londres (inusitado, não?).

No show, este momento acompanha a representação da obra El Aquelarre, de Francisco de Goya (1746-1828), pintada entre 1797 e 1798. Rosalía fica no centro de balé, no lugar do bode, com figurino de chifres e plumas negras.

No quadro, Goya critica a superstição, o fanatismo religioso e o medo coletivo que marcaram a Espanha no fim do século XVIII, no contexto da Inquisição Espanhola, que perseguiu pessoas acusadas de bruxaria e heresia.

Pintura sombria de um bode com chifres e coroa de folhas, em pé, cercado por figuras humanas em um ritual noturno sob uma lua crescente e céu estrelado. Algumas pessoas seguram bebês, outras parecem esqueléticas ou mortas, e morcegos voam ao fundo.
‘El Aquelarre’, de Francisco de Goya: pintura criada entre 1797 e 1798 (Domínio público/reprodução)
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Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci 

Na vez da música La Perla, Rosalía se aprofunda ainda mais no universo das artes, com diversas referências. Com vestido branco e luvas pretas, faz alusão a uma cena do filme Os Sonhadores (2003), de Bernardo Bertolucci (1941-2018), em que a personagem Isabelle, interpretada por Eva Green, usa a mesma roupa. 

O figurino também homenageia o longa Gilda (1946), estrelado por Rita Hayworth (1918-1987), que marcou época com a figura da femme fatale. Além disso, as luvas pretas criam uma ilusão de ótica com o fundo, também preto, fazendo parte dos braços da cantora sumirem. É uma menção à icônica escultura grega de Vênus de Milo. As luvas brancas do balé ainda criam uma auréola na cabeça da cantora, evocando imagens católicas como a Virgem de Guadalupe e a Virgem de Lourdes.

Três jovens adultos, dois homens e uma mulher, deitados em lençóis claros e amarrotados, com a mulher no centro usando um lençol branco enrolado no corpo, enquanto os homens estão sem camisa. A mulher olha para baixo, um homem deitado à esquerda olha para cima, e o outro homem, à direita, está de cabeça para baixo. O pôster do filme The Dreamers tem texto branco sobre fundo escuro na parte inferior
O cartaz do filme ‘Os Sonhadores’ (2003): filme de Bernardo Bertolucci (Divulgação/divulgação)

Mona Lisa, de Leonardo da Vinci 

A versão de Rosalía para o hit Can’t Take My Eyes Off You, de Frankie Valli, lançada em 1967, é um dos momentos mais aguardados do show. É neste momento que a cantora olha para seus fãs através de uma moldura dourada, recriando a sua própria Mona Lisa, famosa pintura de Leonardo da Vinci (1452-1519).

No quadro, os olhos da musa parecem acompanhar quem se move diante dela. No palco, Rosalía faz o mesmo, encarando a multidão.

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Pintura da Mona Lisa, mulher de pele clara e cabelos escuros, com um sorriso sutil, vestindo um vestido escuro com mangas douradas, mãos cruzadas sobre o colo. Ao fundo, uma paisagem montanhosa e um rio sinuoso sob um céu esverdeado
A Mona Lisa de Leonardo da Vinci: obra feita entre 1503 e 1506 (Wikipedia/reprodução)

A Aula de Balé, de Edgar Degas 

O balé está presente em vários momentos da Lux Tour, não apenas com os dançarinos, mas também com a própria cantora usando sapatilhas, collant, tutu de tule e plumas.

O figurino faz referência a uma das obras mais conhecidas do pintor francês Edgar Degas (1834-1917), A Aula de Balé, que retrata um grupo de bailarinas com o dançarino Jules Perrot (1810-1892). A pintura mostra o coreógrafo observando as alunas enquanto elas treinam, descansam ou ajustam suas roupas — ressaltando a disciplina e o trabalho por trás da dança.

Pintura de um estúdio de balé com várias bailarinas em tutus brancos e um homem idoso com bengala. Uma bailarina de costas, com laço verde na cintura, observa o grupo.
‘A Aula de Balé’, de Edgar Degas: pintura finalizada em 1876 (Wikipedia/reprodução)

A Pequena Bailarina de Catorze Anos, de Edgar Degas 

Os gestos teatrais também são um espetáculo à parte. Na abertura do show, com seu tutu e sapatilhas, Rosalía fica parada, tal qual a bailarina retratada na escultura A Pequena Bailarina de Catorze Anos de Degas.

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A obra, uma das esculturas mais famosas da história da arte, representa Marie van Goethem, uma jovem bailarina da Escola de Balé da Ópera de Paris. Quando foi exibida pela primeira vez, em 1881, o público estranhou seu aspecto extremamente realista. Isso porque Degas utilizou materiais incomuns para a época, como cera, tecidos, sapatilhas reais, cabelos naturais e fita de cetim.

Após a morte de Degas, em 1917, a escultura teve réplicas fundidas em bronze, versões presentes em diversos museus ao redor do mundo, enquanto a original em cera é preservada na National Gallery of Art, em Washington, nos Estados Unidos.

Escultura de bronze de uma jovem bailarina com a cabeça erguida e olhos fechados, vestindo um corpete amarelo e saia de tule marrom, sobre uma base de madeira clara
‘A Pequena Bailarina de Catorze Anos’, de Degas: escultura em cera de 1881 (Domínio público/reprodução)

O mito grego de Ícaro

No segundo momento do show, perto do final do espetáculo, Rosalía ganha asas quando canta Magnolias, encarnando Ícaro, personagem da mitologia grega. 

Segundo o mito, a figura e seu pai, o artesão Dédalo, foram presos pelo rei Minos na ilha de Creta. Para escapar, Dédalo construiu asas feitas de penas unidas com cera. Antes da fuga, advertiu o filho para que não voasse muito baixo, para que a umidade do mar não encharcasse a invenção, nem muito alto, para o calor do Sol não derreter a cera.

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A sensação de liberdade fez com que Ícaro ignorasse os conselhos do pai e voasse cada vez mais alto, para no final cair no mar e morrer afogado.

Pintura barroca de Dédalo e Ícaro. Dédalo, um homem barbudo com asas brancas, voa à esquerda, olhando para Ícaro, que despenca de cabeça para baixo com asas desfeitas e uma túnica vermelha esvoaçante. Abaixo, um mar agitado e uma cidade costeira com montanhas ao fundo
A obra ‘A Queda de Ícaro’, de Jacob Peter Gowy (1635–1637): representação do mito grego (Domínio público/reprodução)

 

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