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Quem deveria ganhar o Oscar 2025? Críticos analisam principais categorias

Especialistas em cinema entregaram, com exclusividade, suas apostas para o Oscar 2025. participe da enquete da Bravo! e dê seu palpite sobre os vencedores

Por Laís Franklin
Atualizado em 3 mar 2025, 15h03 - Publicado em 27 fev 2025, 16h56
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 (Oscar academy site/reprodução)
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Há tempos os brasileiros não se entusiasmavam tanto com o Oscar. Na 97ª edição, o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, surpreendeu ao receber três indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Torres. Em uma vitória histórica, o longa-metragem que retrata os anos de chumbo da Ditadura levou para casa o primeiro Oscar do Brasil

Além disso, Anora, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, foi premiado em 5 categorias, surpreendendo o grande público ao desbancar Fernanda Torres e Demi Moore, mas não a crítica especializada no tema. As várias polêmicas em torno de Emília Pérez, concorrente direto de Ainda Estou Aqui, tiveram consequência no maior prêmio do cinema. Das 13 indicações, o filme francês levou somente dois troféus: Melhor Canção Original (El Mal) e Melhor Atriz Coadjuvante (Zoe Saldaña).

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(Alile Dara Onawale/divulgação)

Com a vitória de Ainda Estou Aqui ganha todo o cinema nacional, ganha a cultura brasileira, ganha a luta contra o autoritarismo e o fascismo. Por tudo isso, conversamos com críticos especializados em cinema que deram previsões sobre o Oscar 2025 com exclusividade para a Bravo! — e, claro, várias delas foram confirmadas.

Todos os jornalistas anteciparam, por exemplo, a vitória do nosso Ainda Estou Aqui na categoria de Melhor Filme Internacional. “Vai ganhar e merece ganhar o nosso Ainda Estou Aqui. Walter Salles, Rodrigo Teixeira e equipe vão, finalmente, trazer o Oscar para casa. Eu vi os cinco candidatos e o brasileiro é impecável ao inserir muito bem e delicadamente um drama familiar no contexto da ditadura militar”, antecipou Miguel Barbieri.

Isabella Faria, por exemplo, previu a vitória de Anora em Melhor Filme: “Anora leva, porque eles intensificaram as aparições nessas últimas semanas e estão ganhando prêmios. Acho que vai ser esse filme, o peso da Palma de Ouro é importante, e é um filme independente. É um filme de médio, baixo orçamento, que é visto com bons olhos também na indústria, porque o Sean Baker fez um discurso recentemente, uma premiação muito importante, falando sobre o cinema independente americano. Com Marvel dando uma acalmada, tem espaço para filmes de médio, pequeno orçamento, que muito provavelmente vão começar a ser reconhecidos.”

“O filme dirigido por Sean Baker deve levar a estatueta. Apesar de Conclave ter vencido o SAG de melhor elenco, Anora ganhou algumas das mais importantes premiações que são vistas como termômetro do Oscar, como Sindicato dos produtores. Em torno de 78% dos filmes que ganham o prêmio do sindicato dos produtores levam o Oscar”, cravou a pesquisadora Carissa Vieira.

Confira abaixo as análises completas de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Filme Internacional do Oscar 2025 e vote no fim da matéria em quem você considera que deveria ter ganhado o Oscar este ano em cada categoria.

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Barbara Demerov, crítica de cinema, integrante da Abraccine e votante do Globo de Ouro

Melhor Filme: Vai levar Anora, porque o Sean Baker, ele é um diretor que está crescendo cada vez mais nos Estados Unidos. Ele já tem uma reputação de cinema independente ali. E o Anora, estatisticamente, ganhou vários prêmios importantes, especialmente nos sindicatos do cinema. Então, é importante entender que muitas das pessoas que votam nos sindicatos são as mesmas que votam no Oscar. E elas fazem parte da academia. Então, é mais uma aposta racional essa que eu estou fazendo. A crítica internacional adorou o filme desde o começo. O longa venceu A Palma de Ouro, no Festival de Cannes com o júri presitido pela Greta Gerwig. Então, Anora tem muita força. É um filme que agrada mais, por exemplo, do que O Brutalista, eu imagino. O Brutalista seria a minha aposta do coração, porque é o meu filme favorito. Mas eu não sei se ele perdeu força por conta das polêmicas de inteligência artificial.

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Eunice (Fernanda Torres) é levada para interrogação por agentes da ditadura (IMDB/reprodução)

Melhor atriz: Eu realmente acho que Fernanda Torres deve levar. Apesar de que, se a Demi Moore também conseguir, não vai ser uma surpresa. Afinal, o Oscar ainda é uma premiação de Hollywood para Hollywood. A gente está tendo cada vez mais a inclusão de diversidade, de obras de fora do eixo norte-americano. Como Ainda Estou Aqui, o próprio Emília Pérez, que também é um filme europeu.

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Mas, eu acho que a Fernanda está em uma maré muito positiva. Isso, na verdade, enquadra as duas categorias, filme internacional e atriz. A campanha do Ainda Estou Aqui, ela ganhou muito nesses últimos meses, especialmente nas últimas semanas. Por quê? O filme estreou lá fora, ganhou muita visibilidade. Está cada vez mais passando em mais salas. E os norte-americanos estão vendo o filme pela primeira vez. Viram o filme pela primeira vez durante o período de votação do Oscar. Então, é muito importante pensar isso, porque o Oscar também é timing. E o timing do Ainda Estou Aqui para o Oscar foi perfeito. É um filme novo, recente para eles. A gente já está falando desse filme há muito tempo, mas lá fora não.

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Fernanda Montengro no filme “Ainda Estou Aqui” (Alile Dara Onawale/divulgação)

As pessoas estão conhecendo a Fernanda Torres e entendendo a história dela com a mãe, com a Fernanda Montenegro. E tem, claro, o Walter Salles, que ele é um diretor já muito renomado em Hollywood. Então, toda a campanha de Ainda Estou Aqui foi impecável. Extremamente focada no filme, focada na obra em si e não em outras questões. Fernanda deu várias declarações maravilhosas relacionando o período de Ainda Estou Aqui com o período da Guerra Fria nos Estados Unidos, justamente para as pessoas de lá se familiarizarem com o tema da ditadura. Então, tem todo um contexto aí da campanha que está favorecendo o filme. Ainda Estou Aqui tem chance de levar duas das três estatuetas pelas quais ele está concorrendo.

Melhor Filme Internacional: Ainda Estou Aqui está em uma maré muito positiva, o que pode prejudicar, o que pode ter prejudicado a Emília Pérez. Eu sei que a Emília Pérez foi indicada a 13 categorias. Ainda deve levar nas categorias de Atriz Coadjuvante e Canção Original. Eu não estou tirando da reta o Emília Pérez no melhor filme internacional. Porque é um filme que foi muito elogiado lá fora. Os membros da Academia adoram o musical. Adoraram o filme. Mas eu acho que Ainda Estou Aqui se favorece nesse cenário de novidade. É um filme que ganhou o Globo de Ouro, a atriz ganhou o Globo de Ouro. Então, acho que todo mundo começou a assistir o filme com mais atenção.

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Cena de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do “Oscar de Melhor Filme Internacional” (Alile Dara Onawale/divulgação)
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Previsões de Carissa Vieira, pesquisadora, professora e roteirista com especialidade na construção de narrativas com bons desenvolvimento nas questões de gênero e raça

Melhor Filme: Anora

O filme dirigido por Sean Baker deve levar a estatueta. Apesar de Conclave ter vencido o SAG de melhor elenco, Anora venceu algumas das mais importantes premiações que são vistas como termômetro do Oscar, como Sindicato dos produtores. Em torno de 78% dos filmes que ganham o prêmio do sindicato dos produtores levam o Oscar.

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Fermanda Torres e Valentina Herszage no filme “Ainda Estou Aqui” (Alile Dara Onawale/divulgação)

Melhor Atriz: Fernanda Torres

Apesar da Demi Moore ter feito uma grande campanha e ter levado boa parte dos maiores prêmios, ter uma narrativa de reconstrução de carreira que pega os votantes, ainda acredito que muitas pessoas não darão seu voto a ela por conta do tipo de filme que é A Substância. Correndo ao seu lado tem a Mickey Madison que vai fazer parte dos votos se dividirem e favorecer a excelente campanha da Fernanda Torres. A atriz brasileira ganhou força após o Globo de Ouro. A mídia americana parece estar encantada com ela e a sua interpretação como Eunice Paiva é muito forte. Então acredito que Fernanda leva.

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Cena de Ainda Estou Aqui (Alile Dara Onawale/divulgação)
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Melhor filme internacional: Ainda Estou Aqui

Acredito que a grande disputa é entre Emilia Pérez e Ainda Estou Aqui, ambos também indicados na categoria de Melhor Filme. Apesar de Emilia Pérez ter 13 indicações, acredito que o filme brasileiro ganhou força nessa etapa final, enquanto o longa francês perdeu. Além de Ainda Estou Aqui ser um filme que tem um grande apelo de público e que parece ter agradado os votantes. Por isso acredito que pela primeira vez o Brasil ganhará um Oscar.

Previsões de Isabella Faria, jornalista, crítica de cinema, roteirista e votante do Globo de Ouro

Melhor Filme: eu mudei tanto o meu palpite de melhor filme, porque as campanhas são muito caóticas nessa reta final, mas justamente por causa disso, eu acho que a Anora leva, porque eles intensificaram as aparições nessas últimas semanas e estão ganhando prêmios. Acho que vai ser esse filme, o peso da Palma de Ouro é importante, e é um filme independente.

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Cena do filme “Anora”, vencedor de 5 categorias do Oscar 2025 (Neon/divulgação)

É um filme de médio, baixo orçamento, que é visto com bons olhos também na indústria, porque o Sean Baker fez um discurso recentemente, uma premiação muito importante, falando sobre o cinema independente americano. Com Marvel dando uma acalmada, tem espaço para filmes de médio, pequeno orçamento, que muito provavelmente vão começar a ser reconhecidos.

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Meu segundo palpite é o Brutalista, que apesar de ser um filme de baixo orçamento, é magnânimo, o que não tem essa cara de independente que a Anora tem, mas eu bato o martelo em Anora.

Melhor atriz: Essa, eu acho, que é uma das categorias mais difíceis de prever, na verdade. A gente teve a Demi Moore ganhando vários prêmios nessa temporada, a gente teve a Mikey Madison também ganhando, e a gente teve a Fernanda Torres, crendo ou não, que ganhou o Globo de Ouro de Drama, que pesou bastante.

Só que é isso, parece que os votos estão divididos, porque a Fernanda não foi indicada ao SAG nem ao BAFTA. Então, a gente não consegue levar muito em consideração os prêmios anteriores ao Oscar como termômetro, digamos assim, porque tá tudo realmente muito caótico.

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Cena de A Substância (2024), vencedor do Oscar de Melhor Maquiagem (IMDB/reprodução)

Mas se fosse pra apostar, eu diria a Demi Moore, mais pela carreira, assim do que pela atuação. A atuação dela tá ótima, claro, mas o Oscar tem isso de premiar também pela carreira, pelo conjunto da obra, o que, sinceramente, eu não vejo o menor sentido se tratando da categoria de melhor atuação. Eu apostaria na Demi Moore, que, ali do meio pro fim do filme ela faz uma atuação bastante corporal, e tem toda essa narrativa dela de que ela nunca ganhou nenhum prêmio, que ela queria ser mais valorizada como atriz, e buscando outros caminhos com papéis mais complexos.

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Zoe Saldanha em Emilia Perez – atriz venceu o Oscar 2025 de Melhor Atriz Coadjuvante (Imdb/reprodução)

Melhor filme internacional: Com certeza, ainda estou aqui, Karla Sofia Gascon e toda a equipe de PR nos fizeram esse grande favor de enterrar, praticamente, Emília Pérez no Oscar. Eu acredito que o filme vai ganhar pouquíssimas categorias, quem sabe Atriz Coadjuvante para Zoe Saldaña, mas Melhor filme Internacional é nosso. Tenho, assim, 90% de certeza.

Walter Salles investiu muito na publicidade, no marketing desse filme de um jeito correto, porque é só assim que a gente tem visibilidade, que a gente consegue fazer o público assistir o que a gente produz. Das três categorias, acho que essa é a que a gente tem mais chance de ganhar. Se Emília Pérez ganhar, eu vou ficar muito surpresa e decepcionada. O filme tem vários aspectos negativos. A história é confusa, estereotipada, a produção do filme é ruim.

Previsões do Oscar por Paula Jacob, crítica, pesquisadora e professora de cinema no MIS-SP

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Adrien Brody em “O Brutalista”: inteligência artificial foi usada para mudar sotaques e acelerar as etapas de pós-produção (Imdb/reprodução)

Melhor Filme: Sinto que algumas coisas mudaram desde o Globo de Ouro para cá. Anora ganhou bastante destaque, venceu Cannes ano passado e tem muita força. Mas não acho que seja um filme que mereça o Oscar de Melhor Filme pois ele tem algumas pontas soltas de roteiro. O filme tenta criticar uma coisa, mas acaba caindo na própria armadilha. Minha aposta mais clássica é O Brutalista. Ele é um filme muito completo, muito redondo. As atuações, a direção, o roteiro, a parte técnica…E a estética super agrega à história, porque a gente tá falando de um arquiteto que sai da Europa refugiado por conta da Segunda Guerra Mundial. Eu acho um filmão, assim, desses bem clássicos e elegantes que a gente tinha nos anos 50 e 60, que proporciona uma experiência cinematográfica grandiosa. Acho que ele merecia por tudo isso.

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Fernanda Torres em “Ainda Estou Aqui” (Alile Dara Onawale/divulgação)

Melhor Atriz: Sempre acho que a essa uma das categorias mais difíceis do Oscar. Pelo menos na última década, virou uma expectativa bem importante. Ano passado, por exemplo, a gente tinha a Emma Stone e Sandra Huller, que são atuações muito distintas, mas com um nível altíssimo de qualidade. Então é muito difícil olhar para essas duas atrizes, esses dois trabalhos, e falar se a Emma Stone é melhor do que a Sandra Huller? Elas estão impecáveis, as duas, dentro da proposta de cada um dos filmes que elas participam. Esse ano, nós brasileiros, temos uma expectativa ainda mais importante, que é uma nomeação histórica, né? Enfim, da Fernanda Torres, fazendo jus ao que a mãe dela tinha já conquistado 25 anos atrás. Eu acho que isso é uma história muito bonita e muito vencedora.

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Uma das cenas mais icônicas “Ainda Estou Aqui”, vencedor do “Oscar de Melhor Filme Internacional” (Alile Dara Onawale/divulgação)

Acredito muito no cinema nacional e na força das nossas histórias, e eu acho que a Fernanda Torres merecia, sim, ganhar esse prêmio, porque ela está muito bem no filme. Ela tem uma atuação bem distante de um clichê que poderia ser relacionado a esse tema que falar de uma dor, fala de memória.

Fernanda trabalha a atuação num lugar muito delicado e muito honesto. Ela não vai pra um melodrama clássico. Ela é muito contida, ela fala pouco, ela se expressa pouco também no rosto, e isso é muito difícil. Ela fez um papel brilhante da Eunice, e ela tem respeitado bastante essa figura que é importante pra história do Brasil também, nos tapetes vermelhos também, nas entrevistas que ela dá. Ela sempre lembra, né, o quão histórica é essa mulher, e como uma boa parte dos brasileiros desconhecia a história dela.

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Demi Moore em A substância (2024) (IMDB/reprodução)

Mas é óbvio que é muito difícil uma atriz não americana, ou hollywoodiana, não ganhar o Oscar nessa categoria. Ou não ganhar nessa categoria. Só a indicação de Fernanda Torres já é um passo imenso pra gente. Óbvio que a gente torce e a gente acredita até o último minuto, e eu realmente acho que ela merece esse prêmio e esse reconhecimento. Mas outras duas atrizes que estão bem fortes ali no páreo são a Demi Moore e a Mikey Madison.

Eu acho a Demi Moore ainda melhor do que a Mickey Madison. Também por conta de contexto, da metáfora dentro da metáfora. A carreira da Demi também foi muito parecida com o que a personagem dela sofre ali em A Substância. Então ela se deixar filmar de maneiras grotescas. E mostrar as falhas do corpo dela. Ela se deixar se filmar nua com o corpo dela, sem nenhum retoque. Imagino que ela ganhe o Oscar.

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Cena do filme “Anora”, de Sean Baker (Neon/divulgação)

E aí tem a opção ali, mais indie, por assim dizer, da Mikey Madison. Que seria uma surpresa se ela ganhasse. Porque eu acho que… Tem outros filmes do Sean Baker que são melhores do que a Anora. Acho que a questão do roteiro do filme atrapalha um pouco a atuação dela e o filme acaba se perdendo nele próprio. E aí a personagem acaba se perdendo nela própria. Ela começa muito bem e tem alguns deslizes ali no meio do filme. E aí tem um final bem impactante. Que é o que acaba ressoando na gente quando a gente termina de ver um filme, né? Eu, pelo menos, não votaria nela como a melhor atriz.

Melhor Filme Internacional: essa é uma categoria que eu amo, sempre amei. São histórias que eu descobri, diretores que eu descobri, muito por conta da categoria de Melhor Filme Internacional, não só do Oscar, mas em algumas outras premiações dos Estados Unidos. É uma categoria muito especial.

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Cena de Emilia Perez (Divulgação/divulgação)

Tenho um pouco de receio com essa categoria por conta de toda a campanha de Emília Pérez, que é um filme muito fraco, muito mal feito e mal atuado. Ele tem muitos problemas em todas as instâncias dele. Desde a produção, o diretor, o roteiro, cheio de conta solta, as atuações muito caricatas. Acho um filme precário. Ele não vai, ele não chega em nenhum lugar, é um musical e aí as músicas não conversam com o filme. Acho que seria muito triste, Ainda Estou Aqui perder para um filme como esse, mas qualquer outro filme da categoria de melhor filme internacional merecia mais esse prêmio do que o Emília Pérez.

Garota da Agulha é um baita filme. Ele é aterrorizante num lugar muito específico, ele fala de um terror feminino, num pós-guerra. É como um freak show de corpos marginalizados. O diretor trabalha muito bem esse terror, que é meio psicológico, meio visual. Flow, que é uma animação da Letônia feita com pouquíssimo dinheiro, uma equipe de três pessoas e um uso de software gratuito.

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Mahsa Rostami em A Semente do Fruto Sagrado (2024) (IMDB/reprodução)

O Semente do Fruto Sagrado também tem uma proposta muito bonita de falar sobre uma questão política, mas que ressoa no individual e conversa bastante sobre como isso afeta principalmente as mulheres e as mães e as relações interpessoais ali dentro de um contexto íntimo mesmo. E eu achei a condução do diretor do Mohamed Hassaloff muito boa. Ele constrói uma tensão que dá uma virada, assim, na metade do filme e a gente entende que, na verdade, o terror não era só externo, era também interno, num núcleo familiar.

O nosso Ainda Estou Aqui é um filme belíssimo. Ele é muito forte. Eu acho que ele tem grandes chances de ganhar melhor filme internacional, principalmente depois de tudo que aconteceu com a campanha da Emília Pérez, porque os votos do Oscar aconteceram depois de todo esse circo que aconteceu. Vários veículos norte-americanos têm falado que Ainda Estou Aqui é, talvez, o grande nome dessa categoria, depois do que aconteceu com a Emília Pérez. Para além desse burburinho internacional, acho que é um timing importante. Ele é um filme que conta a história do Brasil de um jeito que abraça outros públicos. Ele não é um filme que está focado numa bolha, necessariamente, mas que ele conseguiu ampliar esse diálogo.

Previsões do Oscar por Miguel Barbieri, jornalista, criador de conteúdo e crítico com mais de 30 anos de experiência

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Anora, de Sean Baker, venceu a categoria mais importante da noite e levou o Oscar 2025 de Melhor Filme (Neon/divulgação)

Melhor filme:

A disputa deve ficar entre Conclave e Anora. Eu gosto um pouco mais de Anora, que deve ganhar. É menos conservador e dá uma força para o cinema independente do diretor Sean Baker. Mas, dos dez filmes em competição, eu prefiro Ainda Estou Aqui. É o grande momento do cinema brasileiro em anos e, não à toa, ganhou vaga inédita e histórica na principal categoria do Oscar.

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Da esquerda para direita: Amy Adams (50), Kate Winslet (49), Nicole Kidman (57), Fernanda Torres (59),
Demi Moore (62), Tilda Swinton (64) e Pamela Anderson (57) (fotos de Fernanda, Amy, Demi, Kate e Pamela: Amy Sussman / Getty Images . Tilda: Taylor Hill / Gettyiages. Nicole: Kevin Mazur/Gettyimages./fotografia)

Melhor atriz: Até o Oscar reconheceu que o trabalho de Fernanda Torres é excepcional. Ela está em praticamente todas as cenas e tem um domínio integral da personagem Eunice Paiva. É a minha preferida. Mas Demi Moore deve ganhar e não será um prêmio desperdiçado. É a melhor atuação da carreira da atriz. A única diferença que eu vejo em relação a Fernanda é que ela divide o tempo de tela com Margaret Qualley.

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Cena de”Ainda Estou Aqui”, representante do Brasil no Oscar 2025 e vencedor na categoria de Melhor Filme Internacional (Alile Dara Onawale/divulgação)

Melhor filme internacional: Vai ganhar e merece ganhar o nosso Ainda Estou Aqui. Walter Salles, Rodrigo Teixeira e equipe vão, finalmente, trazer o Oscar para casa. Eu vi os cinco candidatos e o brasileiro é impecável ao inserir muito bem e delicadamente um drama familiar no contexto da ditadura militar.

Previsões do Oscar por Renata Moniz, jornalista e criadora de conteúdo especialista em cultura pop com trabalhos publicados na Record TV, TV Cultura, UOL, Omelete, Glamour, Elástica e Revista Trip

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Da esquerda para direita: Backstage o diretor Edward Berger e o ator Ralph Fiennes no set de Conclave (Philippe Antonello/Focus Features/divulgação)

Melhor filme: Estipular o vencedor de uma estatueta do Oscar é algo que sempre oscila muito dependendo do momento de campanha que o filme está. Se você me perguntasse em novembro de 2024 as chances de Ainda Estou Aqui (data que o longa estreou no Brasil), eu te diria que as probabilidades de uma vitória seriam baixas. Digo isso porque a tração do filme começou a aumentar exponencialmente nas redes sociais brasileiras entre novembro e dezembro de 2024. Isso sem falar de toda a repercussão positiva em sessões e festivais estrangeiros — culminando na vitória da Fernanda Torres como melhor atriz de drama no Globo de Ouro deste ano. Já pra categoria de melhor filme, a disputa segue acirrada e imprevisível até o último instante, mas frente aos últimos resultados de premiações, Conclave e Anora seguem sendo os favoritos desta estatueta.

Melhor Atriz: A partir deste momento, o jogo virou de vez e sim, “o brasileiro voltou a sonhar”, porque apesar do aparente favoritismo da atriz Demi Moore na categoria de melhor atriz, esse prêmio mostrou que é importante sim olharmos para estatísticas matemáticas, mas que apesar disso, é possível ser surpreendido por vitórias que vão além de qualquer estatística e probabilidade.

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Fernanda Torres em “Ainda Estou Aqui” (Alile Dara Onawale/divulgação)

Melhor Filme Internacional: depois dos episódios recentes com todas as polêmicas do filme Emilia Perez (longa internacional que era o forte concorrente do Brasil mas que perdeu forças nas últimas semanas) é possível torcer e acreditar na vitória do Brasil pela estatueta de melhor atriz e de melhor longa internacional.

A verdade é que no fim da premiação os brasileiros ficaram com um gosto meio amargo por Fernanda Torres não ter vencido a categoria de Melhor Atriz. Na sua opinião: quem deveria ter ganhado as principais categorias do Oscar 2025?

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