Avatar do usuário logado
Usuário

A polêmica da 36ª edição da Bienal que pode mudar os rumos do evento

Jornal sugere mudanças após questionamento sobre comunicação das obras na última edição; mudanças não foram confirmadas pela instituição

Por Redação Bravo! 20 fev 2026, 11h12 • Atualizado em 23 fev 2026, 17h52
bienal-2025
Conjunto de fotografias de vistas obras instalações da 36 Bienal de São Paulo para imprensa (PressKit) para Fundação Bienal de São Paulo (Levi-Fanan/divulgação)
Continua após publicidade
  • A Fundação Bienal de São Paulo passou a ser alvo de questionamentos após a publicação de um texto do jornalista Sílas Martí, na Folha de S.Paulo, que menciona possíveis mudanças nos contratos com os curadores das próximas edições da mostra. O artigo foi publicado na quinta-feira (19). Na reportagem, que combina análise crítica e ensaio, Martí afirma que a programação futura sofreria alterações contratuais após o que descreve como “extravagâncias” da 36ª edição, encerrada em janeiro deste ano.

    A publicação retoma críticas dirigidas à edição mais recente, com curadoria do camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, realizada sob o título “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”. Organizada pela Fundação Bienal de São Paulo, a mostra integra uma das mais importantes plataformas de arte contemporânea do mundo. Entre os pontos mencionados no artigo estão a dificuldade de acesso a informações sobre obras e artistas, a ausência de legendas visíveis e escolhas expográficas que, segundo parte do público, teriam interferido na experiência de visitação.

    Obra de Juliana dos Santos na 36ª Bienal de São Paulo.
    Obra de Juliana dos Santos na 36ª Bienal de São Paulo. (Bienal de São Paulo/reprodução)

    De acordo com o texto da Folha de S.Paulo, o conselho da Fundação teria decidido criar “guardrails” — termo usado por uma fonte ouvida pelo jornal —, descritos como mecanismos contratuais destinados a evitar que decisões curatoriais comprometam a clareza das informações ao público. A informação, entretanto, ouviu vozes de bastidores e não foi confirmada e tornada oficial pela organização.

    Procurada pela reportagem da Bravo!, a Fundação Bienal não confirmou nem negou alterações específicas nos contratos. Em nota, a instituição apenas afirmou que realiza avaliações internas ao fim de cada edição, como parte de sua política de revisão de procedimentos. 

    Continua após a publicidade

    “A Fundação Bienal de São Paulo é uma instituição cultural privada, sem fins lucrativos, cuja missão é ampliar e democratizar o acesso à arte contemporânea, fomentar a produção artística e desenvolver projetos educacionais no âmbito cultural. Esses três eixos estruturam e orientam a atuação da instituição.

    Como parte de sua política permanente de aprimoramento institucional, ao término de cada edição da Bienal são realizadas avaliações conduzidas pela Diretoria Executiva, com o objetivo de analisar resultados e aperfeiçoar processos, fluxos e parâmetros de trabalho.

    A Fundação Bienal revisa e otimiza seus procedimentos continuamente, sempre orientada pela responsabilidade na gestão de recursos, pelo fortalecimento do projeto artístico e pelo compromisso com a acessibilidade e a democratização do acesso ao público.”

    Sobre os pontos ainda não esclarecidos, a reportagem enviou novos questionamentos à instituição, solicitando informações sobre possíveis alterações nos contratos de curadoria, novos parâmetros para apresentação das obras e avaliações internas sobre a recepção pública da última edição. As respostas foram fornecidas conjuntamente pela Fundação Bienal de São Paulo. Segundo a instituição, qualquer alteração no modelo de contrato será avaliada após a indicação do novo corpo curatorial.

    Continua após a publicidade

    BRAVO!: Sobre a alteração no contrato, podem confirmar se essas mudanças realmente ocorreram? Em caso afirmativo, poderiam detalhar quais foram os principais pontos de alteração nos contratos dos curadores e como essas alterações impactam a forma como a curadoria será conduzida e as obras apresentadas ao público?

    Fundação Bienal de São Paulo: A Fundação Bienal revisa periodicamente seus procedimentos administrativos e contratuais como parte de sua política permanente de aperfeiçoamento institucional. No momento, o comitê de seleção curatorial encontra-se no processo de indicação da curadoria da 37ª Bienal de São Paulo. Eventuais atualizações nos modelos contratuais serão analisadas após a nomeação da equipe responsável pela próxima edição, à luz das necessidades específicas do projeto.

    B: Existem diretrizes ou parâmetros formais que orientem a exposição e montagem das obras, de modo a equilibrar liberdade criativa e acessibilidade para o público?

    A Fundação Bienal dispõe de um manual de diretrizes e boas práticas institucionais, compartilhado com todos os colaboradores, incluindo as equipes curatoriais. O documento estabelece parâmetros operacionais e de governança que dialogam com a liberdade conceitual de cada projeto e é revisto a cada edição. É importante lembrar que, desde 2009, a instituição opera com equipes técnicas permanentes, o que permite consolidar conhecimento acumulado e garantir continuidade institucional entre as edições.

    B: A Fundação possui relatórios ou avaliações sobre a percepção do público e dos artistas em relação à clareza das informações sobre as obras na 36ª Bienal? Se sim, poderiam compartilhar dados ou exemplos de conclusões relevantes?

    Há um histórico de pesquisas realizadas em parceria com o Datafolha a cada edição da Bienal, com o objetivo de compreender o perfil do público e avaliar sua experiência. Na 36ª edição, a 1 taxa de satisfação foi de 96%, em linha com as últimas quatro mostras, e a nota média de recomendação alcançou 9,2 (em uma escala de 0 a 10).

    B: Qual é o diagnóstico da Fundação sobre a última edição da Bienal em termos de recepção do público e aprendizado institucional? Há mudanças específicas previstas para futuras edições com base nesse feedback?

    No caso específico da 36ª Bienal, a partir do monitoramento contínuo da experiência de visitação, que inclui acompanhamento de imprensa, redes sociais e interações diretas com o público –, a Fundação reavaliou a proposta de sinalização ainda nas primeiras semanas da mostra.

    Continua após a publicidade

    Em diálogo com a curadoria, foram implementadas placas adicionais com o nome dos artistas e QR Codes ao lado das obras, buscando um equilíbrio entre a proposta conceitual da exposição e a acessibilidade da informação ao visitante. Também foi realizada uma segunda tiragem do fôlder-mapa, em formato ampliado e com conteúdo mais detalhado, com o objetivo de incrementar a acessibilidade de conteúdo. Cabe lembrar que a exposição é acompanhada por um sólido programa educativo e de mediação, que atendeu 113 mil pessoas – mais de 90 mil delas crianças e adolescentes –, e que conta com uma série de iniciativas de acessibilidade. Um dos destaques desta edição é o projeto Bienal Prática, um inovador aplicativo web fluente em português, inglês e espanhol que utiliza recursos de inteligência artificial, reconhecimento de imagem e realidade aumentada para interagir com o visitante em linguagem coloquial em um percurso composto por 30 artistas da mostra. Cada Bienal constitui um processo de aprendizado. A partir da análise dos resultados de cada edição, como dados de público, avaliações internas e contribuições das equipes envolvidas, a Fundação revisa procedimentos e aperfeiçoa fluxos de trabalho.

    Publicidade